Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 18/08/2020

Historicamente, o papel masculino sempre foi valorizado em detrimento ao feminino, que ficava à margem da sociedade, e tais ideais se modificaram apenas durante o século XX, quando as mulheres conseguiram conquistar seu direito ao voto e diversas figuras femininas ganharam destaque por meio da luta por igualdade de gênero. Apesar dos avanços sociais, o machismo ainda é marcado na sociedade contemporânea, visto que durante a pandemia do Coronavírus os índices de violência contra a mulher cresceram. Portanto, é válido afirmar que o negligenciamento estatal contribui para esse quadro maléfico que marginaliza a vítima.

Cabe mencionar, em primeiro plano, que é notório o aumento de crimes domésticos realizados contra mulheres durante a pandemia do Covid-19, consequência do descuido estatal na prevenção e resolução desses casos. Nesse viés, a Lei Maria da Penha visa punir e coibir atos de violência doméstica, porém é perceptível que essa medida é insuficiente para fiscalizar esses casos, visto que o índice de denúncias aumentou 40% em relação a 2019, conforme o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Portanto, é imprescindível que o governo brasileiro tome medidas preventivas e mais eficientes para acabar com esse cenário.

Vale mencionar, em segundo plano, que a cultura machista enraizada na sociedade apresenta discursos que culpam as vítimas pelas violências que sofrem e, por conseguinte, oprime moralmente as mulheres. Paralelo a isso, a filósofa Simone Beauvoir, autora de “O Segundo Sexo", afirma que é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre homens e mulheres. Dessa forma, percebe-se que as mulheres têm suas imagens difamadas e seus direitos negligenciados por causa de uma cultura preconceituosa. Portanto, o patriarcalismo silencia as mulheres e favorece a continuidade dos abusos.

Em suma, é necessário que o Estado tome medidas a fim de prevenir e fiscalizar esses casos no Brasil. Portanto, cabe ao Governo, por meio de verbas, priorizar as políticas públicas de combate a desigualdade de gênero, a fim de diminuir essa discriminação. Dessa forma, o Ministério da Educação, em parceria com as mídias digitais, devem incluir debates sobre o gênero na grade escolar e na sociedade, em buscar de promover uma reeducação populacional.