Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 18/08/2020
Segundo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo foi adotado o isolamento social como medida de evitar a propagação do Corona Vírus entre as pessoas, no entanto, os esforços em massa para salvar vidas, colocaram um grupo vulnerável em risco. Em suma, mulheres que antes já sofriam com a violência doméstica, durante a quarentena podem sofrer com os abusos ainda mais. Isso se deve ao fato das vítimas serem obrigadas a passarem um maior tempo de convívio com o seu agressor, consequentemente mais controle sobre a mesma, ser alvo das tensões no lar resultante da quarentena e uma redução do contato com o coletivo.
Primeiramente, é importante destacar que, antes da pandemia, as vítimas de violência doméstica geralmente esperavam que seu parceiro abusivo fosse trabalhar para denunciar e procurar amparo, entretanto, na pandemia há uma maior dificuldade de ficar sozinha e prosseguir com a denúncia, pois elas ficam confinadas com seus agressores. Além disso, as mesmas não conseguem realizar ligações pois temem ser ouvidas pelo violentador, o que resulta em mulheres suscetíveis em suas próprias casas de permanecerem em uma recorrente violência. Contudo, embora o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro relatar aumento de 50% nas denuncias de violência doméstica, essa taxa não chega nem perto dos casos que ainda não conseguiram ser denunciados.
Nesse contexto, de acordo com um estudo feito pela UERJ mostra que os casos de estresse cresceram 80% desde o início da pandemia. Isso pode ser pelo fato de que, segundo o IBGE, no isolamento social, a taxa de desemprego aumentou 26%, logo sem uma renda fixa as pessoas tendem a ficar mais estressadas. Dito isso, o aumento do estresse, principalmente em indivíduos já violentos acabam por ficarem ainda mais agressivos que com a tensão no lar, descontam em suas parceiras ocasionando o aumento do crime doméstico.
Portanto, conforme as problemáticas citadas é mister que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, crie por meio de verbas governamentais, companhas publicitárias que passe nos principais canais de televisão sobre a conscientização, especialmente nesse período de isolamento social, sobre ter atenção às situações suspeitas, como gritos, choros, discussões em voz alta e ameaças, pois são os que têm melhores condições de realizar a denúncia, já que não estão expostos aos agressores. Para que assim, as autoridades possam ajudar as vítimas a se verem livres de ambientes tóxicos e diminuir os casos que tendem a ser maiores na pandemia.