Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 18/08/2020
Estima-se que no Brasil a cada uma hora 503 mulheres são vítimas de violência doméstica, conforme o jornal DataFolha, ocupando a 5º colocação no ranking mundial de causas de mortes de mulheres. Com o surgimento da quarentena em função da pandemia do covid-19 não foi diferente, notou-se inclusive, um aumento no número de casos. Isto deve-se ao fato de que as vítimas passam mais tempo com seus agressores em casa, além de não denunciarem permitindo que continue acontecendo, muitas vezes por vergonha ou sentimento de culpa.
Sabe-se que através do isolamento social os casos de violência domestica aumentaram, com o estresse e pressão psicológica por ficar muito tempo em casa e devido o pouco contato ao ar livre e com outras pessoas. Reportagens como uma da revista online Gizmood Brasil afirmam que ficar em sua residência por longos períodos de tempo tem efeitos negativos como níveis mais altos de estresse e pressão arterial. Devido a isso, aumentou a incidência de violência no âmbito domiciliar contra a mulher, além da maior convivência dentro de casa tende-se os níveis mais altos de estresse devido à situação de quarentena da pandemia de coronavírus.
Ademais muitas vítimas não denunciam, permitindo que as agressões continuem acontecendo. Isso deve-se por conta da culpabilização que grande parte das mulheres que são violentadas sentem. De acordo a promotora Silvia Chakian para o jornal BBC Brasil, há vítimas que deixam de denunciar porque têm medo de serem responsáveis pelo fim da carreira de um sujeito, podendo haver também a ideia absurda de que a violência sexual refletiria a “desonra” da vítima ou que ela pode de certa forma ter se comportado de maneiras inapropriadas, na qual incentivou ou encorajou aquela agressão. Deste modo, as vítimas acabam por permitir que a violência continue ocorrendo, uma vez que não possuem coragem para prosseguir a denúncia.
Em síntese, fica evidente que as mulheres precisam de suporte nesse momento, tanto emocional - de amigos e parentes - quanto profissional, com acompanhamento psicológico. É, portanto, dever do poder público aderirem a meios que irão ajudar essas vítimas, como tornar as linhas telefônicas de todas as delegacias mais eficientes e capacitando elas para receberem denúncias de mulheres. É vital que todos os profissionais de segurança pública saibam como lidar com situações de violência contra a mulher, independente de seus gêneros. Além disso, deve-se disponibilizar mais viaturas para que haja como atender as ocorrências na hora em que a denúncia é feita, ocasionado por conseguinte um melhor atendimento não só de ocorrências de violência doméstica, mas também de os demais crimes.