Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 17/08/2020

Visto que, com a adoção das medidas de isolamento social, recomendada por governos estaduais e municipais para combater a disseminação do novo coronavírus (Covid-19), os efeitos sociais são muitos e uma das problemáticas discutida a seguir será, o agravamento da violência doméstica durante este período. Tendo em vista fatores que evidenciam a permanência das agressões físicas e verbais, é possível citar, o aumento do estresse e a sobrecarga de trabalho em casa para a mulher e o medo e a resistência da vítima em denunciar o caso, além da dificuldade concreta de contato presencial com as instituições de proteção à mulher no período da pandemia.

De acordo com, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, mostram que as mulheres realizam serviços domésticos durante 18,5 horas por semana, em comparação com 10,3 horas semanais gastas pelos homens. Isso tudo antes do cenário da pandemia, que coloca mais crianças e pessoas em casa, demandando mais cuidados. No momento atual, a carga de atividades em  casa esta bem maior. Dessa forma, o aumento do estresse e a sobrecarga de trabalho em casa para a mulher, se dá por conta de que, muitas vezes a figura feminina, é a principal ou única encarregada dos cuidados com familiares, fator que propiciam a ocorrência de violência, em lares onde a principal forma de comunicação é esta.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Data Senado 2011, algumas das entrevistadas que se declararam vítimas de violência e que não denunciaram, 20% delas disseram que foi por causa do medo, enquanto que 68% das entrevistadas em geral acreditam que o que leva uma mulher agredida a não denunciar é o medo do agressor. O fato de que, muitos casos de violência contra a mulher são sub notificados se dá, pois há receio da vítima em denunciar, além da dificuldade de contato presencial com as instituições de proteção à mulher no período da pandemia.

Portanto, para garantir a segurança e a vida das mulheres em tempos de quarentena é necessário investir nas políticas públicas já existentes. Manter em funcionamento os serviços de proteção às mulheres não apenas em sistema de plantão, mas disponibilizar também meios virtuais para ampliar o acesso das mulheres a esses serviços, cabe ao governo disponibilizar suporte psicológico de forma virtual e acessível, as escolas e as famílias também possuem papel importante no auxílio da desconstrução de uma sociedade machista, guiando e incentivando as crianças e os jovens a entenderem seu papel em casa, distribuindo os afazeres sem sobrecarregar o sexo feminino, entendendo que as atividades caseiras devem ser realizadas por todos os moradores da residência.