Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 18/08/2020

O filme “Hunting Ground”, retrata o depoimento de diversas mulheres que sofreram agressões físicas e verbais, relatando também a impunidade por parte dos agressores e as sequelas físicas e psicológicas sofridas pelas vítimas. Fora da ficção, tal situação não está tão distante da realidade brasileira, uma vez que diversas mulheres vivenciam esse cenário no período de quarentena no Brasil. Desse modo, é fundamental indagar as principais causas e consequências das agressões contra esse grupo.

Primeiramente, é facilmente perceptível que com o prolongamento do período de quarentena, a coexistência forçada e os estresses econômicos são os principais causadores da problemática. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), houve um aumento de 50% no atendimento a mulheres vítimas de agressões domésticas e familiar por todo o país, sendo que 46% desses relatam que os agressores são os próprios parceiros. Revela-se, assim, que a sociedade machista e patriarcal tem uma forte influência em tais comportamentos dos sexo masculino.

Em segundo lugar, é notável que com a elevação dos números de agressões contra as mulheres, consequentemente, o feminicídio foi elevado também. De acordo com a (FBSP), entre os meses de março e abril de 2020, houve um aumento de 22,2% no número de casos de feminicídio no Brasil. Nesse sentido, muitas vítimas de agressões domésticas têm medo de denunciar seus parceiros e acabarem mortas, desenvolvendo assim, diversas doença psicológicas como depressão, fobias e estresse pós-traumáticos .

Diante os fatos citados, faz-se necessário que o Estado promova mudanças de comportamento. Conforme Immanuel Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Dessa forma, o MEC juntamente com o Estado, deveriam promover materiais didáticos e palestras para serem trabalhados nas escolas, a fim de conscientizar e incentivar os jovens sobre a importância de não agredir as mulheres e de denunciar se ver casos de violência contra o sexo feminino. Nesse viés, poderia-se aos poucos ir acabando com a cultura patriarcal e machista. Ademais, o Estado deveria fazer-se válidas as leis de reclusão aos agressores das vítimas, desmotivando-os das práticas de tais crimes. A mídia por sua vez poderia ajudar promovendo propagandas e grupos que motivem as mulheres a denunciar seus agressores, procurando amigos e familiares de confiança que possam ajuda-lá.