Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 22/08/2020

Na minissérie da HBO, “Big Little Lies”, a personagem Celeste, uma mãe que largou a sua profissão para cuidar dos filhos gêmeos, vive em um relacionamento abusivo, e é agredida, quase que diariamente, pelo seu marido, chamado Perry. De maneira semelhante e, com a negligência por parte do poder público de prestar todo o auxílio possível, aliado ao pensamento machista patriarcal do período colonial, no Brasil, em período de pandemia, muitas mulheres se assemelham a esse relato sofrido pela personagem Celeste.

Em primeira análise, dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH) mostram que em abril, pouco mais de um mês de isolamento domiciliar, a quantidade de denúncias recebidas no canal 180 deu um salto, crescendo cerca 40% em relação ao mesmo período do ano passado. Porém, mesmo com o aumento desses dados, é notório perceber que as estatísticas são ainda maiores, já que a vítima convive mais com o agressor, com todas as tensões familiares (contexto apreensivo, incertezas…) e que colaboram ainda mais para as discussões, gerando agressões psicológicas e futuramente físicas. Os dados apresentados também mostram que as campanhas adotadas pelo poder público e por empresas, não vem surtindo o efeito desejado, haja vista que mesmo após várias medidas a serem tomadas, os resultados ainda não são os esperados.

Ademais, a escritora Chimamanda Ngozi Adichie fala que “Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal.” Essa fala assemelha-se a ideologia herdado do pensamento machista patriarcal em que o homem é o senhor da família e detém todo o controle da mesma, apontando que pessoas próximas das vítimas não intervém, por acharem ser um problema familiar e normal, já que acontece em muitas famílias, fazendo com o que casos como o de Celeste, apresentados anteriormente, só crescem, devido a falta de atitude de terceiros para dar um basta nisso.

Averígua-se, desse modo, que medidas devem ser efetivadas para combater a questão. Logo, cabe ao poder público, por meio de verbas governamentais, criar campanhas, por meio da TV aberta e ações em bairros e comunidades, com o objetivo de intensificar a divulgação dos direitos das mulheres, melhorar a assistência às vítimas de agressões e promover um debate social sobre o tema, para que estimule a sociedade a denunciar casos como este.