Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 31/08/2020
A Organização Mundial da Saúde (OMS) detectou um impacto perturbador da violência sobre a saúde física,sexual,reprodutiva e mental das mulheres.
Como consequência da pandemia,milhares de mulheres deixaram de ter acesso a métodos contraceptivos e milhões de meninas podem ser submetidas a casamentos forçados e à mutilação genital. Cada dois meses de isolamento podem resultar em 15 milhões de casos a mais de abuso doméstico, de acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA),a agência da ONU que trata de questões populacionais.
No início de abril, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH),anunciou um aumento de 9% no número de chamadas ao Ligue 180,que recebe denúncias de violência contra a mulher,no mês de março. Em São Paulo, o número de casos de violência contra a mulher aumentou 30% durante a quarentena,de acordo com o Núcleo de Gênero e o Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público de São Paulo. A situação do Rio de Janeiro é ainda mais alarmante,com um aumento de 50% nos casos de violência em março,segundo a Justiça do Rio.
E para garantir a segurança e a vida das pessoas em tempos de quarentena é necessário investir nas políticas públicas já existentes. Manter em funcionamento os serviços de proteção às mulheres - como delegacias especializadas e juizados - não apenas em sistema de plantão, mas disponibilizar também meios virtuais para ampliar o acesso das mulheres a esses serviços,assim como ampliar a atuação do Ministério Público e defensorias.
A polícia deve criar um glossário de códigos para serem utilizados discretamente pelas vítimas, para não alertarem os agressores e facilitar as denúncias. E a mídia televisiva deve informar, de forma transparente, sobre as campanhas e formas de denúncia.