Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 27/08/2020

Com a chegada da pandemia, causada pelo corona vírus, novos desafios surgiram. E um deles foi o aumento do número de casos de violência doméstica, não só no Brasil como no mundo todo. Porém, mesmo antes da quarentena, esse número já era elevado. Segundo o Instituto Igarapé 1,23 milhão de mulheres reportaram violência entre 2010 e 2017.

Certamente, a mulher é a principal vítima da violência doméstica, que é o crime com menor número de denúncias. A razão disso ocorre não só por vergonha, mas para defender outras pessoas da casa contra os mesmos atos. Outro motivo é o fato de a vítima se achar responsável pelos atos de violência e entender que merece ser tratada dessa forma. Normalmente o próprio agressor a faz pensar que a culpa da violência é dela. É importante ressaltar que violência doméstica pode ser verbal, psicológica e física, sendo esse, o último estágio da agressão.

Devido ao patriarcalismo instalado na sociedade até os dias de hoje, muitos homens são ensinados desde pequenos que são, na visão machista, superiores ao gênero feminino em todos os quesitos seja economicamente, profissionalmente, fisicamente e emocionalmente. E quando mais velhos, levam isso para seus relacionamentos conjugais menosprezando sua cônjuge em todo momento.

Visto que o número de casos subiu rapidamente, o assunto passou a ser discutido nas mídias sociais, alertando às mulheres que estiverem passando por isso, diferentes formas de denunciar a violência doméstica. Propagandas, filmes, aplicativos e até campanhas como a do “Sinal Vermelho”, que consiste em fazer um “X” na palma da mão e mostrar ao atendente ou farmacêutico para que a polícia seja acionada, foram criadas para mostrar às mulheres que elas não estão sozinhas e para serem corajosas e denunciar.

Ademais, debates como esse são extremamente importantes, pois ajuda na conscientização de pessoas de todas as idades. Além de, informar sobre como identificar as situações de violência, quais os canais de denúncia e de que modo cada um de nós pode ser parte da rede de apoio às vítimas.

Não é fácil mudar a estrutura social de um país, mas é preciso! Educar meninos desde cedo mostrando que eles não são superiores às mulheres e que não tem o direito de agredi-las de modo algum. Em curto prazo é necessário, investimento e ampliação de serviços de denúncia e abrigos para mulheres em risco. Questionar a violência e o machismo estrutural também é papel de todo cidadão, pois a violência doméstica mata milhares de pessoas todos os dias.