Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 25/08/2020

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, na sua obra “Memórias Póstumas”, ironiza seus fracassos ratificando que a vida é mesmo uma miséria, e não vale a pena perpetuá-la através dos filhos. Talvez, hoje, ele compreendesse acertado seus julgamentos, visto que, a atitude de muitos brasileiros diante a violência doméstica é uma das faces mais perversas de uma sociedade em progresso. Com isso, surge a problemática do aumento a essas ocorrências, especialmente em épocas de isolamento social, que permanece intrinsecamente associado à realidade do país, seja pelo medo de notificar e fazer a denúncia contra o agressor, seja pela tensão e o estrese de permanecer nas residências por um longo período.

É evidente que, diversas mulheres não procuram o serviço de atendimento a denúncias, devido a apreensão e o medo a que são submetidas, ocasionando uma continuidade nas violações e negligenciando seus direitos propostos na lei Maria da Penha (lei 11.340/06), além disso, a ausência de um apoio ou psicológico, ou familiar, é um fator preocupante. Contrariando a célebre frase de Mahatma Gandhi, “temos de nos tornar a mudança que queremos ver”, nesse âmbito, torna-se responsabilidade dos cidadãos de fazer a diferença em sociedade, auxiliando as mulheres vítimas de violência doméstica e proporcionando um apoio externo.

Ademais, outra questão a evidenciar é a incidência das agressões contra as mulheres durante episódios cujo, o isolamento social é o modo preventivo, a convivência gera muitos atritos principalmente, entre casais, ocasionando vários tipos de violências e aumentando a curva no número de subnotificações. Outra causa perturbante é a identificação da agressividade, muitas mulheres não sabem discernir quando estão passando por agressão doméstica, e acabam fazendo com que aquela situação faça parte do seu dia a dia. Assim, é essencial promover uma reconfiguração nos casos de violência doméstica para capacitar indivíduos cônscios de tamanha crueldade.

Logo, medidas estratégicas são fundamentais para modificar esse cenário. Para que isso ocorra, o Governo Federal- instância máxima da administração executiva, em comunhão com os meios midiáticos, devem desenvolver canais de denúncias, através do apoio social, como também campanhas e propagandas preventivas contra a violência doméstica. Tais medidas necessitam serem efetivadas por meio de palestras e anúncios, como também em locais públicos e com profissionais aptos, para que a mulher se sinta à vontade, e assim, descreva toda a ocorrência, em seguida acione a polícia, a fim de diminuir os casos de violência e pôr um fim a submissão feminina. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país progressista, e idealizar um legado em que Brás Cubas irá satisfazer-se.