Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 25/08/2020
O romance distópico ‘‘The Handmaid’s tale’’, da autora canadense Margaret Atwood retrata a República de Gilead, um regime autoritário e teocrático que classifica as mulheres como uma classe secundária. Assim, as mulheres férteis são submissas e constantemente violentadas, forçadas a uma espécie de escravidão reprodutiva, sendo obrigadas a gerarem os filhos da elite. Fora da ficção, a violência doméstica no Brasil é um problema recorrente, entretanto, a pandemia do Covid-19 impôs à sociedade uma série de mudanças, entre elas, o isolamento social. À vista disso, houve o aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena, uma vez que o isolamento social aumentou o convívio entre familiares e o consumo de álcool se intensificou.
Sem dúvida, o alto índice de infectados e de mortes provocadas pelo Sars-Cov-2, obrigou a população a seguir diversas recomendações do governo, entre elas, o isolamento social. Tal obrigatoriedade, suspendeu contratos trabalhistas, fechou restaurantes e espaços de lazer, que intensificaram o convívio entre familiares. Essa intensificação, levou em alguns casos a ocorrência de discussões, brigas familiares e desentendimentos, situações nas quais alguns homens acabam recorrendo à violência tanto física como psicológica para terem razão.
Ademais, essa pandemia trouxe consigo muitas incertezas e adversidades, que resultaram em uma grande ansiedade em relação ao futuro. Desse modo, o consumo de álcool se intensificou durante a quarentena, pois está sendo utilizado como tranquilizante, para auxiliar no sono e controle do estresse. Entretanto, o consumo de bebidas alcoólicas gerou um efeito inebriante, que no calor de uma discussão resulta em casos de agressão, não apenas contra mulheres, mas também contra crianças e adolescentes. Acontecimentos que podem gerar, além de hematomas no corpo, sérios problemas psicológicos para a toda a vida. Diante disso, torna-se urgente uma medida governamental.
Sendo assim, tendo em vista o convívio problemático entre familiares e, o elevado consumo de álcool durante a quarentena, é mister que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, órgão responsável pela garantia da constituição e, portanto, dos direitos das mulheres, realize uma campanha publicitária. Campanha esta, a ser realizada através da maior destinação de verbas governamentais, deverá ser veiculada nos principais meios de comunicação, alertando as mulheres acerca da possibilidade de denunciar abusos domésticos como, por exemplo, o sinal vermelho ‘‘X’’, marcado na palma da mão para que as farmácias possam identificar vítimas e denunciar às autoridades. Tendo o intuito de diminuir abusos como os denunciados em ‘‘The Handmaid’s tale’’ e destarte, punir os agressores.