Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 31/08/2020
Na aclamada série alemã “Dark”, ao longo dos episódios, é retratado o passado de Katharine Nielsen que, quando adolescente, após sua mãe chegar em casa coberta de sangue, a questiona e acaba por receber violentos tapas e socos, o que resulta em marcas em seu rosto. Fora da ficção, é visível que a realidade exposta na trama se assemelha com o atual panorama mundial, onde mulheres, jovens e crianças sofrem diariamente com algum tipo de violência doméstica que, com a quarentena, se intensificou. Dessa forma, seja pelo maior contato com o agressor ou com o aumento do estresse, é imprescindível a dissolução dessa conjuntura.
Sob um primeiro viés, é lícito postular que o isolamento social é um agravante dessa problemática. Em 2018, o chefe da ONU (Organização das Nações Unidas), declarou que a violência contra as mulheres é uma pandemia global. Nesse contexto, é importante ressaltar que esse tipo de agressão sempre esteve enraizada na sociedade mas, com o distanciamento adotado como uma medida para frear a contaminação do novo coronavírus, as vítimas encontram-se mais próximas e vulneráveis do seu abusador. Assim, além de sofrerem mais agressões, há também um alto índice de subnotificações, haja vista que diversas não conseguem realizar as denúncias por estarem perto de quem as comete.
Outrossim, é mister salientar os fatores que corroboram na intensificação desses casos. Estudos realizados pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) revelou que os casos de estresse cresceram 80% desde o início da pandemia. Nessa perspectiva, com o confinamento, situações de violência, seja ela física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral, passaram a ocorrer com mais regularidade, uma vez que o agressor passa a descontar os picos de raiva e agir com desrespeito, impaciência e irritabilidade com quem divide a moradia. Logo, é primordial a adoção de estratégias para reverter esse cenário.
Destarte, é inegável que a violência nos lares configura um grave empecilho atualmente. Para tanto, os veículos midiáticos devem, por meio das redes sociais, jornais, rádios, revistas e programas televisivos, ampliar as divulgações dos serviços disponibilizados pelo MDH (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos), como o Disque 100 e o Ligue 180, que é responsável por receber denúncias e orientar o paciente, com o intuito de democratizar o acesso para todos. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça, em parceria com Ministério da Saúde, oferecer apoio jurídico, ratificar as leis de proteção e garantir ajuda médica e psicológica para os sobreviventes, além de abrir mais vagas em abrigos, com o fito de proteger a população que está submetida a essa realidade. Desse modo, é esperado que a violência doméstica diminua e, futuramente, deixe de ser uma pandemia global.