Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 26/08/2020
De acordo com o Google, um dos significados de “quarentena” é: “isolamento, por períodos de tempo variáveis, imposto a indivíduos ou cargas procedentes de países em que ocorrem epidemias de doenças contagiosas”. Esse significado, atribuído à infectologia, é o que mais se encaixa no momento atual (08/2020). A quarentena para prevenir a Covid-19 trouxe benefícios, exemplos incluem: não ser infectado pela doença e não passar a doença adiante, mas houveram alguns efeitos colaterais (por assim dizer): ansiedade, ociosidade, falta de vitamina D, queda na produtividade e, especialmente, o aumento na violência doméstica.
A violência doméstica não é um problema recente. Pelo contrário: só no Brasil, de acordo com um estudo divulgado pelo governo em 2015, a cada 7 minutos uma mulher é vítima de violência doméstica. Aproximadamente 205 mulheres por dia, sem contar com o tabu da agressão aos homens, mesmo que tenha menos casos documentados. E, de acordo com levantamentos feitos em diversos estados, o número de agressões registradas cresceu bastante na quarentena. Os(as) possíveis agressores(as) ficavam mais tempo fora de casa, trabalhando ou se divertindo. Agora, eles(as) são obrigados a ficar em casa, possivelmente brigando com a(o) parceira(o) e, nesse caso, provavelmente agredindo-a(o).
Essas agressões são como uma bola de neve descendo uma montanha. Tudo começa com uma discussão. Depois, evolui para uma agressão verbal. Em seguida, ocorre a primeira agressão física. As agressões físicas passam a ser rotina e, dependendo do perfil da pessoa, ocorrem brigas e/ou ameaças. As ameaças ficam mais sérias, com utensílios afiados para reforçar o medo imposto, mas a pior parte ainda não chegou. Cenário fictício: “certo dia, o marido chega em casa tarde. Acabou de voltar do bar, bebeu até quase cair. Entra na cozinha, a esposa reclama da rotina diária: ‘Toda vez você chega em casa bêbado, entra nessa cozinha, me maltrata por alguma razão e quem sofre sou eu. Hoje, vai ser diferente: eu te denunciei.’ ela diz. ‘Você o quê?’ pergunta o marido bêbado, levantando a voz e pegando a faca de churrasco na gaveta. A mulher se assusta e grita. ‘Vai se arrepender!’ diz o marido. Naquela mesma noite, a esposa se tornou uma estatística, fazendo parte do número de mulheres assassinadas friamente após anos de violência doméstica.”
Infelizmente, casos como esses não são mera ficção. E, como algumas pesquisas mostram, eles estão se multiplicando feito coelhos na primavera. Mas existe esperança: parar a “bola de neve” antes que seja tarde demais. Métodos discretos de denunciar agressões já foram criados, sem contar que não é necessário receber a primeira ameaça para descobrir um relacionamento abusivo. Não seja mais uma pessoa a cair em um gráfico triste como forma de números: denuncie.