Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 28/08/2020

A cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil. Em 80% dos atos, o culpado pela agressão é o próprio cônjuge (marido, namorado ou ex) com qual convive cotidianamente, segundo a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado (FPA/Sesc, 2010). Infelizmente, todo tipo de violência contra a mulher, incluindo o feminicídio, é refletido em estatísticas assustadoras e se tornou um grande problema de saúde pública e de violação dos direitos humanos das mulheres. Essas informações preocupantes podem aumentar e devem causar mais preocupação durante o período que estamos vivenciando, com a necessidade de isolamento social, resultado da emergência do novo coronavírus. Alarmantes, também, são os índices de violência sexual, praticada, na maior parte das vezes, no âmbito doméstico, 75,9% das vítimas possuem algum tipo de vínculo com o agressor, como seu cônjuge, pai, padrasto, avô, tio, irmão. Em 2018, foram contabilizados 66.041 registros de estupros, ou seja, uma média de 180 casos por dia, dos quais 81,8% praticados contra mulheres ou meninas. Quatro meninas de até 13 anos são estupradas por hora no país, uma realidade assustadora e cruel.  Nesse cenário de caos, tornam-se particularmente preocupantes as informações de aumento da violência doméstica contra a mulher, no contexto de isolamento social. Estima-se que, no Rio de Janeiro e em São Paulo, o número de casos durante o período de confinamento tenha elevado em 50%, dado que pode ser ainda maior, eis que o isolamento social impede sobremaneira os registros de ocorrências nas delegacias de polícia. Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Decode Pulse identificou um acréscimo de 431% dos relatos de briga de casais no período de isolamento. Entre 52.513 menções a relatos de brigas conjugais no Twitter, 5.583 indicavam ocorrência de violência contra mulheres.