Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 30/08/2020

De acordo com o artigo 5° da Lei Maria da Penha, a violência doméstica contra mulher pode ser definida como “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”. E infelizmente, na sociedade atual, essa situação se torna cada vez mais frequente, principalmente pela tensão e ansiedade causadas pela quarentena. Devido a falta de convívio social, o agressor tende a ficar mais grosseiro e mais estressado, descontando em sua vítima. Mulheres que não o denunciam por pressão psicológica ou falta de oportunidade, já que por não poderem sair, ficam com o agressor o tempo todo, entre outros diversos problemas que implicam a denúncia.

Muitas pessoas sujeitas a essa situação, evitam ir até a polícia por medo de causar traumas em seus filhos, que terão seu pai preso; medo de apanharem mais, já que muitas vezes os agressores fazem ameaças severas ou por fazerem parte do que a IMP( Instituto Maria da Penha) chama de “ciclo da violência”. Nesta série, em um primeiro momento, há o aumento da tensão no ambiente familiar, depois o agressor parte para o ato de violência e após isso, o atacante se mostra arrependido e fica mais carinhoso. Ademais, este é um ciclo que não tem fim, ele se repete até que alguém denuncie ou, ainda, que haja uma tragédia, como uma morte.

Além disso, ainda há mulheres que não conseguem denunciar. Nos tempos atuais, vivemos em uma pandemia que é aconselhado que pessoas só saiam de casa em emergências. Assim, elas ficam presas com seus agressores o dia todo.Não podendo ligar para um familiar ou para a polícia, já que ele estará perto e não deixará que isso aconteça. Além disso, ainda há casos de agressores que não permitem que as vítimas liguem para alguém ou as ameaçam para que não contém a nenhuma pessoa e, assim, as vigiam quando estão ao telefone.

Visto os argumentos apresentados, percebe-se que a violência doméstica cresce cada vez mais e é perigosa. Logo, precisa urgentemente ser controlada. Para que isso aconteça a mídia deve intensificar os anúncios de televisão que falam sobre a importância da denúncia, a fim de conscientizar mulheres que sofrem com essas agressões que esses criminosos merecem ser penalizados. Somado-se a isso, o Governo Federal, junto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações,  poderia criar sites que fingissem vender produtos como, por exemplo, maquiagem e cuidados para a pele, mas que na verdade fossem para denúncia. Quando a mulher entrasse em contato para “realizar a compra” poderia queixar-se sobre a situação em que vive, tendo uma certa privacidade, já que o agressor não a veria denunciá-lo, entre outros.