Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 29/08/2020

É evidente que a violência doméstica é um fenômeno global enfrentado pela sociedade desde sua formação. Com o isolamento social imposto por governos estaduais e prefeituras a fim de combater a disseminação do Covid-19, os efeitos sociais são muitos e um deles, a violência doméstica. A pandemia traz à tona, de forma significativa, o aumento da violência contra a mulher por causa da concomitância, estresse e ansiedade.

Em primeiro plano, vale ressaltar que nunca houve uma sociedade igualitária, principalmente ao tratar-se de gênero. Desde o estabelecimento da sociedade patriarcal, como destacado no livro Cavalos Partidos, de Jeannette Walls, fica-se evidente a condição de gênero, onde o homem era o centro da família e responsável por todas as decisões do lar. Cabia à mulher, respeitar e aceitar, se responsabilizando apenas pelos cuidados domésticos. Com isso, surge a problemática da desigualdade de gênero, implicando diretamente em feminicídios, sendo interligada à realidade do país, seja pela insuficiência de leis, ou pela vagarosa mudança de mentalidade social.

Em segundo plano, a lei Maria da Penha e a lei do feminicídio foram grandes conquistas da mulher no século XXI, visto que, segundo o IBGE, quatro em cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de violência, seja ela física, verbal ou psicológica. Ainda assim, os números ainda continuam altíssimos, devido a deficiência de rigor em leis cujo objetivo é a proteção da mulher. O machismo decorrente de anos está imbuído na sociedade brasileira, onde traz a mulher como objetificação, considerando-se normal e sendo exibido em rede nacional, em propagandas, novelas e etc.

Em virtude dos fatos mencionados, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio de verbas governamentais para realizar visitas semanais individuais às mulheres que já sofreram agressões, ou não. Cabe também ao Estado, juntamente com ajuda da mídia, promover campanhas assim como a campanha ´ Sinal Vermelho ´ e propagandas que quebrem os valores machistas. Garantindo assim, o bem-estar físico e psicológico de muitas mulheres brasileiras.