Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 29/08/2020

No livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, uma tempestade faz chover por 4 anos, 11 meses e 2 dias, encarcera os cidadãos em suas casas e a umidade modifica estruturas tanto físicas quanto simbólicas. Apesar de se tratar do realismo mágico, a quarentena tem agido tão intensamente quanto a chuva do livro, ao intensificar interações familiares, em certos lares, como a violência doméstica. Assim, o aumento desse tipo de abuso suscita o debate acerca de seus efeitos e soluções.

A princípio, na obra “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë, três personagens são mantidos em uma casa afastada escondida por um pântano e sofrem diferentes tipos de violência pelo senhorio, que os mantém presos pela impossibilidade de fuga. Assim, não distante da ficção, as consequências de um cativeiro prolongado em lares hostis podem variar desde trauma até morte, e não devem ser tratadas com negligência ou subestimação por parte do Estado, uma vez que não só afetam as vítimas, como também a saúde de toda a sociedade. Então, apesar dos efeitos do isolamento social ainda serem incertos, deve-se prevenir contra um problema que já deveria ter sido mitigado antes mesmo da pandemia.

Além disso, segundo o autor e pesquisador Isaac Vladmil, com o desenvolvimento dos meios de comunicação, a segurança tem maior eficácia. Entretanto, o aumento do número de vítimas da violência doméstica – exposto pelo crescimento de quase 50% nas denúncias no estado de São Paulo, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública – comprova que essa não é a realidade. Logo, corporações como o Instituto Maria da Penha têm um papel vital na diminuição do abuso doméstico contra mulheres, uma vez que fiscalizam, quantificam e agem sobre esse tipo de crime. Porém, são necessárias ações e união de outras instituições que assegurem a proteção de vítimas como crianças e idosos, uma vez que a violência doméstica não se restringe às mulheres e contamina os mais diversos espectros da população.

Portanto, é dever do Estado promover ações políticas que solucionem a problemática – como maior fiscalização e eficácia no combate contra a violência doméstica –, por meio de iniciativas como aumento da força-tarefa e treinamento da Polícia Militar, campanhas que ensinem a população sobre como agir e espaços especializados nos departamentos de segurança para acolher as vítimas. Dessa maneira, será possível diminuir o número de casos de violência doméstica e suas consequências, além de manter essas soluções após o término da “chuva”.