Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 30/08/2020

A violência doméstica contra a mulher, crescente com o passar dos anos, apresentou elevação em meio a pandemia. As denúncias recebidas ao canal 180, por exemplo, aumentaram em 40% no decorrer dos meses. A partir dessas situações, foram desenvolvidos códigos secretos e campanhas nacionais com inúmeros objetivos, mas principalmente para que os casos de agressão fossem identificados.

No início da quarentena, os dados de denúncia decaíram em relação ao ano anterior, não correspondendo com a realidade das agressões. As vítimas, privadas do convívio social, são tidas como reféns de seus agressores, e muitas vezes são privadas de realizar um boletim de ocorrência na delegacia. O salto nas denúncias ocorreu em abril, ao mesmo tempo que o assunto passou a ser comentado com preocupação nas redes sociais.

A partir dos dados do serviço telefônico 180, o próprio governo, instituições e organizações civis estabeleceram formas inusitadas para ajudar as mulheres violentadas em tempo de pandemia. Famoso em outros países, o código do “X Vermelho”, por exemplo, foi recentemente adotado pelo Brasil. A letra em questão é escrita na palma da mão pelas próprias vítimas e mostrada aos atendentes de instituições farmacêuticas, que acionam a polícia militar. Os atos de ajuda sigilosa têm sido apoiados por grandes empresas e figuras públicas, dando maior visibilidade ao movimento.

A violência doméstica na pandemia, portanto, continuará sendo realidade no país. Entretanto, passa a ser função do governo reforçar o atendimento às vítimas e aliar-se a pessoas e organizações para que os recursos em prol da denúncia dos casos de agressão sejam compartilhados para o máximo de pessoas possível. Cabe também aos cidadãos que busquem conhecimento sobre o assunto e apoiem os atos sigilosos de ajuda, contribuindo na visibilidade do movimento e na identificação de casos no país.