Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 31/08/2020

Historicamente, a violência de gênero é uma realidade enfrentada pelas mulheres, sobretudo, no ambiente doméstico. Apesar de já existirem avanços - como a Lei Maria da Penha- no sentido de exterminar tal problemática, na prática, a proteção às vítimas não é plena. Diante disso, com o contexto do isolamento social, em decorrência da pandemia do Coronavírus, o convívio familiar constante fez manutenção dos casos de agressão. Logo, cabe analisar as raízes do problema e, também, estabelecer ações eficazes para gerar seguridade feminina.

Primeiramente, é importante entender que a sociedade como um todo tem sua base no patriarcado, sistema responsável pela culpabilização da mulher e que, ainda, configura uma sensação de superioridade à figura masculina. Nesse contexto, isso se reverte, muitas vezes, em violência- física, moral ou sexual- já que o homem, geralmente, não pensa na possibilidade de sofrer consequências. Tal situação se agravou na quarentena, segundo o Tribunal de Justiça, já que as brigas, seja pelo caos financeiro, seja por crises na relação, aumentaram. Além disso, um fator preocupante é o alcoolismo, que acarreta sintomas mais intensos da agressividade e, por conseguinte, pode reverberar em feminicídio caso não haja denúncia imediata.

Em uma análise mais aprofundada, é necessário entender que o cenário de quarentena dificulta a vítima de abandonar a casa e recorrer à ajuda. Isso se dá não só pelo isolamento, mas também pelo apelo emocional feito pelo agressor. Dessa forma, o medo se estabelece e se torna um grande empecilho, desencorajando a mulher de realizar uma denúncia. Outrossim, é possível, ainda, que ocorra uma suposta submissão econômica da figura feminina, o que agrava a aflição dessa mulher em relação ao seu sustento, pondo em risco sua própria sobrevivência. Diante disso, é fulcral pensar em alternativas- mesmo que na quarentena- para identificar e levar ajuda a essas pessoas, que diariamente têm suas vidas ameaçadas.

Portanto, para que os casos de violência doméstica se distanciem da realidade social, faz-se necessário habilitar medidas. Assim, a Delegacia da Mulher deve, em parceria com plataformas digitais, criar um aplicativo que não chame atenção do agressor, que funcionará como um botão de emergência. Logo, a polícia se dirigirá ao endereço cadastrado e, por conseguinte, a vítima será acolhida por profissionais da saúde e receberá apoio. Além disso, como forma de difundir informação à parcela não elitizada, que muitas vezes não tem acesso à Internet, os Correios precisam espalhar folhetos que apresentem o disque denúncia e, também, uma mensagem de encorajamento para quem necessita de ajuda. Isso possibilitará a diminuição de casos mais graves relacionados à agressão.