Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 31/08/2020

“O destino de uma mulher é ser mulher”. Essa afirmação da escritora Clarisse Lispector pode ser atualizada no atual contexto da quarentena, em que a violência doméstica se agravou. Tal situação tem como origem clara a negligência governamental. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar esse quadro, pode-se destacar a falta de informação e a ausência de incentivos para sair dessa realidade violenta.

Percebe-se como relevante, assim, a compreensão de que o descaso governamental, somada à falta de informação, resulta no aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena. Esse complexo contexto é produto da supressão do governo, que não tem interesse em divulgar formas de denunciar o agressor. Como consequência dessa situação, percebe-se uma parcela das mulheres que estão em situação de risco, perpetuando o sofrimento em sua casa, por não saber como sair da situação impetuosa. Essa realidade pode ser exemplificada pela frase do jornalista Caco Barcelos; “a culpa não é de quem não sabe, é de quem não informa”, ou seja, se o governo não mostrar como sair da condição de vítima, não terá embasamento para tal.

Além disso, não se deve esquecer que a negligencia do Governo, adicionada à carência de estímulos para sair do contexto violento, tem como efeito a violência domiciliar durante o isolamento social. Nitidamente, pode-se inferir que esse processo se origina do desinteresse do Governo Federal e o Congresso de investirem no auxílio financeiro e psicológico, para que as mulheres tenham um apoio palpável para saírem de suas casas. Isso acontece porque um governo formado por uma maioria masculina, não visa necessidade em ajudar a minoria feminina. Como consequência, as vítimas de agressão doméstica se encontram sem alternativas para sair dessa realidade, visto que, uma parcela das mulheres dependem psicologicamente e financeiramente do abusador.

Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca da agressão doméstica durante a quarentena é imprescindível para uma sociedade mais igualitária. Para isso, é necessário que o Governo Federal crie, em parceria com os seus Órgãos e Ministérios, um Programa Nacional de Combate à Violência Domiciliar. Esse programa teria como prioridade propor junto ao Congresso e ao Ministério da Economia, a inclusão desse projeto na Lei de Diretrizes Orçamentárias, para a criação de um auxilio emergencial destinado às mulheres em situação de risco, com o objetivo de dar um suporte financeiro para vítimas que dependem financeiramente do agressor. Ademais, para que essa erradicação seja possível, é necessário que as mídias utilizem sua capacidade de propagação de informação para promover formas de denunciar o agressor mesmo estando dentro de casa.