Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 01/09/2020

“Eu sou contra a violência porque parece fazer bem, mas o bem só é temporário; o mal que faz é que é permanente”. Foi com essa frase que o indiano Mahatma Gandhi (1869-1948), advogado e especialista em ética política, usou para demonstrar novamente sua posição acerca da violência. E pouco menos de Quinze mil quilômetros de distância de sua terra natal e vários anos depois, a agressão se faz ainda mais presente no Brasil. Segundo o jornal O Globo, durante a quarentena, as denúncias de violência contra a mulher aumentaram em 50%. Alguns fatores que podem influenciar essa aumento são a necessidade da vítima ficar mais tempo em casa com o agressor e o aumento de consumo de bebida alcoólica.

É preciso frisar que, devido à pandemia de COVID-19, muitas pessoas não podem sair de casa. Seja por estar dentro do grupo de risco, por haver um grande número de casos em sua região ou até para se proteger da doença. O fato é que, para muitas mulheres, essa opção pode se tornar a pior de todas. Sem poder sair de sua residência, aquelas que sofrem violência doméstica ficam mais tempo com seus agressores e, por consequência, podem sofrer agressões. Um dado que demonstra isso é o do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. De acordo com o órgão, o número de denúncias de abusos domésticos aumentou 34% entre março e abril de 2020 em comparação ao ano passado.

Vale lembrar, também, que o álcool é um expoente a mais para esse aumento de violência. Como muitos agressores ficam em casa, eles podem ingerir bebidas com maior facilidade se comparado ao tempo passado na rua ou no trabalho, por exemplo. A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD), divulgou, recentemente, um crescimento de 38% na venda de bebidas alcoólicas nas distribuidoras e 27% em lojas de conveniência. Esse dado interfere diretamente em mais episódios violentos, visto que o álcool deixa, muitas vezes, as pessoas suscetíveis à mudanças constantes de humor e, no caso de sujeitos violentos, a agressão poderia acontecer de forma mais fácil.

Dessa forma, é preciso que ocorram ações conjuntas entre a mídia e a Secretaria da Mulher, por exemplo. A mídia poderia propagar mais formas das mulheres se protegerem e denunciarem os seus agressores (de forma silenciosa, principalmente). Além disso, a Secretaria poderia disponibilizar mais informações sobre serviços de defesa às vítimas e qualificar mais o meios pelos quais as agressões são relatadas. Mais atendentes podem ser designadas, mais plataformas podem ser usadas, principalmente a internet. Dessa forma, seria possível evitar o mal permanente citado por Ghandhi.