Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 04/09/2020

Com o surgimento da pandemia do Covid-19 e o estabelecimento do isolamento social, o mundo paralisado pelo caos deparou-se com outras problemáticas que vão além da capacidade da saúde pública. Ainda que, a violência doméstica não tenha iniciado-se na quarentena, o aumento significativo dos casos evidencia o impacto do convívio constante com o abusador e das adversidades reforçadas pelas incertezas do período atual.

Em primeira análise, é essencial ressaltar que o confinamento apenas forneceu maior visualidade para os abusos que ocorrem há anos na sociedade. Segundo censos divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada dois minutos uma mulher é vítima de violência em casa, são milhares de casos diários. Além disso, estar isolado a todo tempo com o agressor favorece o acréscimo da tensão, resultando em maiores agressões, impossibilitando a denúncia.

Paralelo a isso, o uso de álcool, drogas, vícios em jogos e até mesmo o estresse do trabalho, são transformados em gatilhos que intesificam o atentado. A fim de ajudar mulheres na luta de como denunciar e minimizar as incertezas promovidas pela situação atual, o gesto de mostrar a mão com o polegar na palma e dobrando os dedos para baixo, tornou-se o sinalizador global para moças que precisavam ser socorridas. Sendo assim, é fundamental compreender que dentro da pandemia do coronavírus, existe a epidemia da violência doméstica.

Dessa forma, o debate acerca do aumento dos casos de agressão doméstica em meio a quarentena, possibilita a ampla visibilidade da busca por um combate eficaz. É necessário que o Ministério da Justiça e Segurança Pública se mobilize a determinar patrulhas para visitas rotineiras e coleta de dados de famílias e vizinhos em todas as áreas das cidades, com o intuito de investigar possíveis eventos e assim, reduzir seus impactos.