Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/09/2020

Uma antiga pandemia

O índice de violência doméstica agravou-se com a pandemia do novo coronavírus. De acordo com o Ministério Público, houve um aumento de 51% de prisões em flagrante por esse delito, com o confinamento, somente no estado de São Paulo. Esses dados revelam uma questão enraizada no mundo que apenas se intensificou em meio às circunstâncias.

A sociedade do século XXI mantém-se ainda fundamentada em conceitos patriarcais. Os ideais de inferiorização e submissão femininos, que se estabeleceram desde as antigas civilizações, geram duras imposições sociais e atos violentos contra o sexo rotulado frágil até os dias de hoje.

A quarentena contribuiu para intensificar essa situação, uma vez que as vítimas tiveram que se afastar do convívio social com amigos e familiares, ao passo que confinaram-se com seus agressores que viram esse momento como uma “cortina de fumaça” para encobrir seus atos criminosos.

Mesmo países desenvolvidos, como a França, estão enfrentando essa situação e precisaram tomar medidas emergenciais ao disponibilizarem a estadia de mulheres em hotéis. No Brasil, com menos recursos financeiros, funcionários de farmácias e síndicos de prédios foram treinados para identificar e denunciar casos de violência.

É possível perceber, uma problemática mundial desenvolvida socialmente por uma ideologia machista que não se abala com décadas de legislações rasas que dão margem ao sentimento de impunidade de um grupo social privilegiado e opressor.

Conclui-se, portanto, que para a supressão da violência contra a mulher, de maneira atemporal, é preciso a expansão dos canais de denúncia, bem como, o trabalho da mídia voltado para a difusão do conceito de igualdade de gênero e, principalmente, a construção de uma legislação mais rígida e eficaz pelo Poder Legislativo de cada Estado.