Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 07/09/2020
Nota-se que a violência doméstica se faz presente no dia a dia dos lares ao redor do mundo há muito tempo, como era na década de 1870, nos EUA, um direito por lei do homem “castigar fisicamente uma esposa errante”. Mas, com a quarentena causada pela COVID-19, o maior convívio familiar aumentou o número de casos de agressões e agravou um histórico que já era desolador de violência domiciliar no mundo, explicado por problemas estruturais enfrentados pelas mulheres na sociedade.
Assim como o distanciamento social na pandemia causou uma queda nos índices criminais em geral (como assaltos), aumentaram em 40% as denúncias de violência contra a mulher no Disque 180, canal especializado para atender esse tipo de denúncia no Brasil. Com isso, fica evidente que o confinamento das mulheres com seus agressores fez intensificar relações que já eram tóxicas ou criar novas relações desse tipo, já que pessoas que não costumavam conviver por muito tempo agora tiveram a oportunidade de conhecer todas as facetas do outro, logo, alguns atritos, esses racionais ou não, surgem e ocasionam as agressões. E, apesar do crescimento das denúncias, algumas vítimas não conseguem denunciar, o que mostra um problema ainda maior: a omissão da realidade da violência.
Contudo, a violência é a consequência mais nociva dessa realidade vivida pelas mulheres, que tem na estrutura social a sua origem. A mulher ainda sofre consequências do sistema patriarcal no qual elas eram submissas ao chefe da família, e não tinham direitos sociais previstos por lei, ou ainda leis que as protegessem como se tem hoje a Lei Maria da Penha. Ou ainda mais grave: existiam leis que permitiam as agressões. Por conseguinte, a estrutura do contexto social feminino a séculos atrás não era equilibrada, por isso até hoje é normalizado rebaixar, desvalorizar e cometer atos violentos contra as mulheres, principalmente dentro do âmbito familiar, lugar onde o patriarcado ainda é muito marcante.
Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de diminuir o índice da violência doméstica em todo o mundo. Por exemplo, investimentos na área dos canais de denúncia e fiscalização dos casos que já foram abertos, integrar serviços essenciais como supermercados e farmácias para dar mais oportunidades de auxílio à vitima, e também fornecer abrigos em locais seguros para as mulheres que estão em alto risco e não têm amparo disponível. Em suma, utilizar essas soluções pode ajudar a reduzir o rol de vítimas que fogem da COVID e se deparam isoladas com seu maior medo: a violência.