Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 04/09/2020
A violência doméstica tem crescido significativamente em tempos de isolamento social. Tomando como pauta principal a violência psicológica, que se constrói a maneira em que o agressor usa do sentimento da vitima para a aprisionar em um profundo e doloroso sentimento de culpa, onde a vítima idealiza o agressor como alguém a quem ela deve, e a dor causada a ela é apenas o pagamento desta incessante dívida.
Sabe-se que, com a chegada da quarentena diversas famílias têm se aproximado cada vez mais, porém nem toda aproximação tem sido benéfica. A violência psicológica no interior da família, geralmente, evolui e eclode na forma da violência física, que causa danos irreversíveis a saúde mental e física da mulher.
Tendo como exemplo o livro A Filha Favorita de Fawzia Koofi, onde a autora relata em determinadas partes as agressões que a mãe sofria, e em uma de suas conversas a mãe diz a ela “Se um homem não bate na mulher, não a ama. Ele tem expectativas comigo e só me bate se eu o decepciono”, neste trecho podemos notar que desde muito novas, as mulheres justificam as agressões que sofrem como amor, pelo fato de terem crescido escutando isso de suas antepassadas, elas enraízam em suas mentes que a agressão é uma forma de amar e a vêm como algo normal.
Dado o exposto, e citando novamente ao livro de Fawzia Koofi, onde ela diz o seguinte “Uma menina precisa de educação para se impor neste mundo dos homens”, conclui-se que a educação ainda é uma das formas que podem ser usadas para diminuir a violência doméstica contra a mulher. Antes da Lei Maria da Penha as mulheres entendiam que o ambiente doméstico era inviolável, mas hoje tendo ciência de seus direitos, as mulheres têm denunciado e o poder público tem tido autoridade para intervir, portanto é de suma importância que não só implantem, mas implementem aulas sobre os direitos das mulheres nas escolas, para que desde cedo, tenham consciência de suas garantias.