Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 08/09/2020
Os casos de agressão contra mulheres são uma realidade no Brasil e em outros países antes mesmo da pandemia do novo coronavírus. Infelizmente, todo tipo de violência contra a mulher, incluindo o feminicídio, é refletido em estatísticas assustadoras e se tornou um grande problema de saúde pública e de violação dos direitos humanos das mulheres. Com a necessidade de isolamento social, resultado da emergência do novo coronavírus, o quadro se agravou ainda mais e o número de denúncias, ao contrário, diminuiu bastante, pela falta de acesso presencial às delegacias, entre outros órgãos competentes, nesse período. É bem importante ressaltar que a pandemia não é responsável pela violência doméstica. Porém, essa pode ser uma consequência imediata de mulheres que estão em relacionamentos violentos e convivem por mais tempo com seus parceiros em um cenário de ameaça. Mas os casos notificados ainda estão bem abaixo da realidade, afirma Marisa Gaudio, diretora de Mulheres da OAB-RJ: “- A maioria das mulheres não denuncia o seu agressor ainda. Vivemos em uma sociedade muito machista e patriarcal que culpabiliza a mulher pela agressão, pelo fim de uma relação, especialmente se envolver filhos, e que desestimula essa mulher a denunciar. O convívio intenso, nesse momento de muita ansiedade e tensão, tem piorado os casos. Um pessoa que nunca bateu, por exemplo, pode ter descambado para a violência física.” Em abril, a ONU Mulheres, entidade para igualdade de gênero e empoderamento, lançou o relatório “A sombra da pandemia: violência contra mulheres e meninas e Covid-19”, apontando o aumento da crise de violência doméstica, crise essa que já trazia dados como uma em cada três mulheres já sofreu violência física e/ou sexual no mundo. Isso acontece sem que haja motivação para denúncias ou quaisquer medidas que protejam mulher e filhos de agressões. As mulheres muitas vezes são desacreditadas e em alguns casos as crianças podem ser até afastadas de suas mães. No Brasil, o número de denúncias aumentou 34% entre março e abril deste ano (2020) em relação a 2019, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Ao comparar apenas o mês de abril, o crescimento é de 36% entre os dois anos. A primeira medida importante é oferecer para as mulheres ambientes seguros para que possam contar o que está acontecendo. Se você conhece alguma mulher que esteja passando por situações de violência, você pode realizar uma denúncia anônima. Com o aumento de número de casos de violência doméstica, o aplicativo do Magazine Luiza, chamado Magalu, ganhou uma nova funcionalidade permanente: um botão para denúncias de violência contra a mulher. O serviço será permanente e permitirá que qualquer pessoa ligue diretamente para o 180, número da Central de Atendimento à Mulher criada em 2005 pelo governo federal.