Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 15/09/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que ninguém deve ser submetido a tortura ou a tratamento cruel, da mesma forma que prevê o direito à segurança pessoal. Contudo, o avanço do número de casos de violência doméstica durante a quarentena indica retrocesso no cumprimento dessas garantias. Desse modo, faz-se necessário identificar e combater as principais causas desse aumento para assegurar os direitos humanos.
A violência doméstica antes da quarentena, infelizmente, já era a realidade de muitas famílias. O que difere, então, o período de pandemia do anterior é a saúde emocional fragilizada e, consequentemente, o estresse intenso nos lares, que, por vezes, manifesta-se na forma de violência, em detrimento da busca de soluções saudáveis para os conflitos. Logo, cabe salientar as principais causas desse aumento, sendo uma delas o isolamento social, visto que o convívio com o agressor aumenta, ao passo que o contato com outros amigos e familiares reduz.
Além disso, o clima de incertezas provocado pela pandemia contribui para a deterioração da saúde mental das famílias, haja vista a instabilidade financeira, bem como o medo de contrair o vírus ou de perder um familiar. Outro fator que contribui para o aumento das tensões no lar é a redução de atividades anti-estresse, como a prática de exercícios físicos, o contato com a natureza, ou até mesmo o tempo com os amigos. É importante ressaltar, por fim, que esses aspectos não justificam a violência doméstica, mas explicam o aumento desta durante a quarentena.
Portanto, tratar a saúde mental pública é uma medida efetiva contra o aumento da violência doméstica. Para tanto, cabe ao SUS divulgar práticas anti-estresse que podem ser feitas em casa, além de ofertar acompanhamento psicológico familiar, através de consultas “online” semanais com profissionais especializados, a fim de manter um relacionamento familiar saudável. Assim, a violência doméstica deixará de aumentar, contribuindo para o cumprimento dos direitos humanos.