Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 08/09/2020

A república federativa do Brasil constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamento a liberdade e bem-estar social. Entretanto não é coerente que a violência contra a figura feminina, seja tratada com negligência no Brasil contemporâneo, visto que estudos mostram que durante o quadro atual de pandemia os casos de feminicídio e violência contra mulher tem aumentado de forma significativa. Duas razões podem ser apontadas para essa problemática: o agravamento da crise econômica presente no País e aumento do convívio familiar.

Em primeiro plano, uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que durante o período de pandemia, observou-se um aumento significativo no número de pessoas desempregadas, ocorrência que intensifica o estresse e a proporção da violência doméstica, visto os que problemas financeiros podem ser considerados um dos maiores causadores da violência, principalmente quando esse problema está associado ao uso de drogas e bebidas alcoólicas por parte do homem, o que o torna ainda mais agressivo e controlador

Soma-se a isso o isolamento social, medida tomada quando se trata de situações de pandemia, onde não se pode haver o contato entre pessoas para evitar a propagação de um tipo de doença. O que requer que as pessoas fiquem de quarentena resultando no maior convívio familiar, e que tem como consequência a manipulação psicológica e o abuso ocorrendo com maior frequência, vale ressaltar que o abuso contra mulher não se trata apenas de agressão física e sim psicológica, grande parte das mulheres vivenciam um tipo de agressão todos os dias e muita das vezes não sabem que são vítimas desse tipo de crime, ocorrendo quando a conduta causa a diminuição de autoestima, danos emocionais e controle sobre a vida da vítima.

Impende pois ao governo o dever de investir em campanhas que incentivem a população a adotar o aprendizado de sinais que referem-se a casos de violência, agindo por meio de escolas e faculdades por meio de profissionais educadores e profissionais psicólogos que ensinem não só mulheres mas a toda sociedade a como reconhecer esse tipo de abuso, quando se trata de violência psicológica. E cabe ao Estado promover centros de autodefesa agindo por meio de professores de luta que ensinem a mulheres a arte de lutar, a fim de que saibam como se defender em casos de violência física.