Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 09/09/2020

Entre as medidas tomadas para combater a disseminação do novo coronavírus (Covid-19), destaca-se o isolamento social, que acaba afetando as relações sociais entre os familiares do lar, causando tensões e podendo levar a violência doméstica, o que já era previsto, segundo os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).

A violência contra a mulher é presente em nossa sociedade, a cada dois minutos uma mulher é agredida e 70% dessas agressões são dentro do lar, geralmente pelo ex ou atual marido ou namorado, em 50% dos casos, a vítima não denuncia, pois vivemos em uma sociedade em que culpam a mulher pela agressão, pelo fim de uma relação, especialmente se envolver filhos, e que desestimula essa mulher a denunciar. Esses dados são de antes da quarentena, os casos aumentaram 50% devido ao confinamento, segundo a neuropsicóloga, Roselene Espírito Santo Wagner, são vários os estudos que associam o isolamento social a perturbações internalizadas como ansiedade, fobias, hipocondria, TOC, depressão, ideação suicida e agressividade, “É de suma importância as interações sociais para o desenvolvimento dos laços afetivos, do prazer da companhia, do desenvolvimento cognitivo, para a introjeção das normas e leis sociais. No excesso de convívio familiar, na grande maioria em apartamentos, maridos e esposas, estão dividindo além do espaço físico, a dinâmica da casa com os filhos, no mesmo cenário. Isso potencializa os conflitos e confrontos que estavam latentes, tornando-os agora manifestos”, disse.

A agressão não é somente física, pode ser psicológica, sexual, patrimonial e moral, que acabam deixando marcas fisicamente e mentalmente. Ela pode ser identificada pelo tom de voz, ciúme, pressão psicológica, tentativa de controle, objetificação e preconceito contra a mulher, chantagens, palavras ofensivas, entre outros. Caso não for denunciado a tempo, a violência pode acabar sendo fatal, muitas mulheres têm dificuldade inclusive de reconhecer que estão em uma relação de violência. Por isso é tão importante a informação e saber que há uma rede de serviços para essas mulheres. Amigos e familiares também precisam estar atentos. Uma agressão psicológica pode levar a uma física que pode levar ao feminicídio. As pessoas precisam estar atentas, se observarem um caso de abuso, devem ir atrás da vítima e prestar a ajuda que ela precisar, dizendo mensagens positivas, mostrando que se importam e estão dispostos a ouvi-la, mostrando que tem uma saída para isso e tentando convencer a denunciar.

Portanto, programas e campanhas de apoio a mulher devem ser executados, divulgando informações sobre o assunto, mostrando á essas mulheres que elas não precisam enfrentar isso sozinhas.