Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 10/09/2020

Em virtude da situação pandêmica hodierna, foi recomendado pelos Governantes o isolamento social para prevenção da Covid-19. Nesse aspecto, apesar de tal medida ser crucial no combate a esse vírus, tristemente, veio consigo um aumento alarmante no tocante à violência contra a figura feminina, precipuamente no Brasil. Sob esse aspecto, é vital um debate acerca das causas , consequências e possíveis medidas que venham frear esse triste fenômeno presente em nossa sociedade.

Inicialmente, é imperativo salientar que, mesmo com a presença de leis que garantem proteção e integridade à mulher, é nítido que,ainda assim, fatores como o medo e a dependência de muitas mulheres com a figura masculina impedem que esse grupo desfrute de seu bem-estar. A esse respeito, pode-se afirmar que inúmeras mulheres, na quarentena, sofrem abusos, agressões e situações humilhantes , que , infelizmente , se perpetuam em razão do medo de denunciar tais ocorrências - em vista de constantes ameaças e sujeição que essa parcela tem com seus companheiros-. Isso posto, segundo Martin Luther King, pastor e ativista político, a injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar. Dessa forma, a partir de tal máxima, fica evidente o quão importante é a mobilização das autoridades competentes frente a esse cenário nefasto, que fere os direitos desse arranjo social.

É profícuo mencionar, ainda, que fatores culturais corroboram o aumento de casos de violência doméstica. Nesse contexto, apesar de se viver em pleno século XXI, característico por um alto fluxo informacional,e, após inúmeros movimentos em prol do empoderamento feminino, lastimavelmente, crenças errôneas, como, por exemplo, o dever de se subordinar ao homem, levam a inferiorização e opressão da figura feminina, o que, por consequência, fomenta a violência contra essa parcela em seus lares. Dessa forma, é inadmissível, que a população, após, significativamente, tamanhas revoltas em prol do bem-estar social, não seja capaz de desconstruir tais fatores culturais.

É nítido, portanto, a gravidade da violência contra a mulher em tempos de quarentena sendo necessário a adoção de ações conjuntas. Urge que a mídia, por ser um importante veículo de engajamento social, instigue denuncias e desmistifique fatores presentes na sociedade acerca da mulher, mediante propagandas e ficções comprometedoras, como minisséries. Aliado a isso, o Ministério da Mulher, família e diretos humanos, por meio de verbas oriundas do Tribunal de Contas da União, deve garantir amparo psicológico, casas de abrigo e um fundo monetário a essa parcela que depende, financeiramente, do agressor. Espera-se com isso, que a violência doméstica em tempos de quarentena seja freada no país , e, outrossim, o bem-estar social seja estabelecido. .