Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 22/09/2020
Os casos de violência doméstica durante a quarentena aumentaram exponencialmente. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os casos de violência doméstica no estado de São Paulo, por exemplo, aumentaram 44% no contexto da pandemia. Nesse âmbito, esse problema se agrava na quarentena devido ao aumento do consumo do álcool e à convivéncia incessante com as pessoas que moram numa mesma casa, além do impedimento em sair da residência, o que dificulta a denúncia da problemática.
Com o cenário inesperado da pandemia, foi imposta uma convivência permanente com as pessoas que vivem na mesma residência. Essa socialização forçada pode aumentar o estresse e ocasionar eventuais discussões. Nesse cenário, consumo do álcool eleva a ansiedade e pode ser um peça chave para transformar uma discussão acalorada em um caso de violência doméstica. Logo, o aumento das tensões dentro de casa aliado ao aumento do consumo de álcool fornecem as condições ideais para que esse tipo de violência ocorra.
Além disso, muitas mulheres são impedidas de denunciar devido ao isolamento social. Sem poder sair de casa, as mulheres ficam trancadas com seu agressor 24 horas por dia, sendo constantemente observadas, o que torna inviável tanto a denúncia presencial quanto a denúncia virtual, visto que são raros os momentos em que a vítima consegue ficar sozinha em casa sem ninguém escutar o que ela fala, sem contar o medo de ser vista denunciando e ser violentada. Desse modo, é necessário a criação de novos meios de denúncia que possam ser facilmente utilizados pelas vítimas dessa violência durante a quarentena.
Visto isso, o álcool e o convívio contínuo facilitam a ocorrência da violência doméstica na quarentena, enquanto que a denúncia dela está ainda mais difícil. Assim, a mídia deve realizar propagandas que façam a mulher se sentir segura para denunciar, além de informar como denunciar presencial ou virtualmente, a fim de encorajar a vítima a denunciar quando ela tiver a chance. Ademais, o Estado poderia criar maneiras inovadoras e discretas de denunciar um agressor, como por exemplo piscar duas vezes com o olho esquerdo e uma vez com o direito para um atendente de farmácia ou supermercado, e este chamaria a pessoa para um lugar reservado para pedir os dados dela e ligar para um centro de ajuda. Dessa maneira as mulheres poderão ter uma vida mais tranquila nesse momento de pandemia que já é cheio de dúvidas, incertezas e medos.