Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 08/09/2020
Os casos de agressões contra mulheres aconteciam no Brasil mesmo antes da pandemia da COVID-19, mas, no atual momento, devido ao isolamento social e a proximidade cada vez maior com parentes e amigos, isso ocorre com maior frequência. Apesar da estatística crescer, muitas mulheres não denunciam, pois, a sociedade machista à culpa por algo que se deve ao agressor, somente. E, por isso, elas se sentem desestimuladas e com medo de piorar a situação.
“Se por um lado nos afastamos voluntariamente do convívio social, por outro nos expomos a um excesso de convívio familiar. Que em alguns, despertou o sentimento de confinamento, de exclusão, exacerbando a agressividade, que antes era liberada, de forma criativa nas relações e programas sociais”, explicou a neuropsicóloga Roselene Espírito Santo Wagner. Ou seja, o convívio diário e intenso fez com que a relação entre casais, por exemplo, aumentasse, intensificando cada vez mais o número de discussões entre os mesmos, levando a agressão (que pode ser física, moral, psicológica, patrimonial ou sexual).
A pesquisa de Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado (FPA/Sesc, 2010), afirmou que, a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil. Em 80% dos casos, o responsável pela agressão é o próprio parceiro com quem convive diariamente. E, segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), houve aumento de mais de 50% no número de denúncias de violência doméstica desde que o isolamento começou, em março. Essa estatística é realmente muito elevada e assusta bastante.
Analisando os dados, percebe-se que é necessário ajudar as mulheres que passam por isso. Há várias opções, entre elas, pode ser produzida uma ferramenta eletrônica, onde se torna mais fácil e rápido o acesso para acusar, por meio de um botão, que quando acionado, já é avisado na delegacia. Também, como já estão fazendo, essas que são agredidas, usam um “código” para avisar as pessoas ao seu redor a situação, para que essas denunciem, sem que o agressor perceba. Além disso, deve-se construir uma Delegacia da Mulher (Deam) em todas as cidades brasileiras, e é necessário que, essa constituição entre em contato com cada moça daquela região, fiscalizando a situação de cada família. E, por último, não deve-se sentir medo de discar 180, em caso de agressão, seja ela física ou psicológica. Para que assim, diminua o número de casos de agressões no Brasil, e a mulher sinta-se no direito dela.