Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 10/09/2020
Na série brasileira “Coisa Mais Linda”, o casal Lígia e Augusto vivem um relacionamento extremamente abusivo. Augusto não deixa Lígia trabalhar, por ciúmes, e agride a esposa diversas vezes em momentos de discussão. Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que a violência doméstica aumentou significativamente durante a pandemia. Isso ocorre tanto pelo problema não ser resultante exclusivamente do isolamento social, quanto pela convivência intensificada decorrente da quarentena. Primordialmente, a violência doméstica é um problema que existe desde a colonização, no século XVI. Gilberto Freyre mostra em sua obra “Casa Grande e Senzala” como a mulher sempre foi uma figura oprimida e subjugada ao sistema patriarcal. Com essa herança perpetuada, muitos familiares, e em sua grande maioria maridos, se sentem no direito de agredir a companheira.
Além disso, a quarentena decorrente do coronavirus intensificou a convivência dos familiares, onde muitos ficaram desempregados, gerando tensão e preocupação no lar. Assim, o homem vê na esposa um depósito de frustrações, descontando sua ansiedade em forma de agressão. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o estado de São Paulo registrou um aumento de 44,9% no atendimento a mulheres vítimas de violência, o total de socorros prestados passou de 6.775 para 9.817. Casos de feminicídios também subiram de 13 para 19 (46,2%).
Portanto, é mister que o Estado tome providencias para melhorar o quadro atual. O Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve promover palestras sobre a importância da mulher na sociedade e o papel dela dentro de casa, a fim de reforçar a valorização e o respeito com o gênero. Somente assim as crianças e jovens saberão a importância de ser mulher/conviver com uma, propiciando uma mudança no pensamento patriarcal para que assim como Lígia, outras mulheres não sofram no ambiente que deveria ser o mais seguro possível.