Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 15/09/2020

A pandemia do Coronavírus fez com que as pessoas tivessem que cumprir o isolamento social, pois esta ação diminui as chances de contaminação e, assim, muitos membros familiares que antes passavam grande parte do dia fora de casa mudaram de rotina e, por isso, o convívio entre os indivíduos da residência se tornou contante. Em consonância, os casos de violência doméstica,  sofrida pelas mulheres, aumentaram, já que houve maior proximidade entre os abusadores e as vítimas e, ao mesmo tempo, menos contato destas com outras pessoas e com recursos de ajuda. Dessa forma, faz-se necessário criar métodos mais eficientes de denúncias e incentivar o diálogo das mulheres com amigos e parentes por plataformas digitais.

A ideia de que a mulher é inferior ao homem surgiu nos primórdios da humanidade, tendo como exemplo o tratamento dirigido a elas no período da Grécia Antiga, quando o grupo foi excluído de participar das decisões políticas nas Pólis. Infelizmente, esse pensamento ainda se faz presente na sociedade atual, fomentado por ensinamentos nos âmbitos escolares e familiares de que os homens possuem maior capacidade intelectual e física, prejudicando a autonomia e o desenvolvimento feminino. Desse modo, uma das das medidas de imposição é a violência, seja ela física, mental ou sexual, o que desequilibra psicologicamente a violentada, que muitas vezes não denuncia as agressões por medo do que o agressor fará ou de como a sociedade irá reagir.

Além disso, os atos de violência acontecem em grande quantidade dentro da própria casa da mulher, como forma da figura masculina forçar submissão e afirmar superioridade. Em consonância, o período do isolamento social intensificou os casos de abusos físicos, pois acarreta constante contato da vítima com seu agressor, promovendo mais cenas de agressões no dia a dia, além de impedir a interação presencial da mulher com outras pessoas, que poderiam perceber a situação por meio de machucados e expressões, e também impossibilita a solicitação de ajuda em centros de organizações de defesa feminina.

Portanto, para que os casos de violência doméstica diminuam e para que as mulheres possam ter mais recursos de ajuda, faz-se necessário mudanças. A Delegacia de Defesa da Mulher deve desenvolver recursos de denúncias por meio de plataformas digitais, podendo investir na compra de equipamentos especializados nesse desenvolvimento. Além disso, a população precisa incentivar a realização de diálogos por chamadas de vídeo e textos nas redes sociais, pois, assim, as mulheres poderão se sentir seguras para procurar ajuda e o desgaste psicológico diminuirá. Consequentemente, mais denúncias serão feitas e a população feminina terá amparo.