Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 20/09/2020

O isolamento social devido à atual pandemia do Covid-19 trouxe reflexos negativos para todos. Tal situação emergencial exige um maior contato e relacionamento com aqueles que vivem e moram juntos, porém, o que teoricamente parece ser um exercício de união e aproximação de famílias, têm causado aumentos significativos nos casos de violência doméstica. E a opressão estrutural que acomete o país não deixa espaço para sanar os problemas de violência de grande parte das brasileiras.

A violência doméstica no Brasil sempre foi um ponto problemático e caótico, é possível notar que os dados computados são assustadores (fora casos que não foram denunciados e que não entram nas estatísticas), e a busca pela erradicação dessa situação ainda deixa muito a desejar. Durante a quarentena, uma junção de fatores causou o aumento exponencial de casos, entre esses fatores estão a diminuição da renda familiar e empregos, maior consumo de álcool, acometimento de stress profundo, sobrecarga de tarefas domiciliares, entre outros. No entanto, as condições apresentadas anteriormente não podem e não devem ser consideradas motivos e desculpas para violência (não só física, mas também psicológica e emocional).

Ainda convém lembrar que o Brasil é um dos países que mais exibem números de violência e preconceito contra mulheres e com as chamadas “minorias”. Tal fato pode ser compreendido ao analisar a opressão enraizada na sociedade. O problema não parte apenas do governo que têm pouco interesse no cuidado com a situação, outrossim, o corpo social que é o principal agente tirânico. Mulheres que tomaram a iniciativa de efetivarem as denúncias ainda correm grandes riscos de retaliação, o que explica a imensa quantidade de casos que não são reportados.

Portanto, conclui-se que é urgente a tomada de ações governamentais e sociais que diminuam e controlem casos de violência doméstica principalmente na atual condição. O governo juntamente com Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deve apresentar diligência em políticas e campanhas públicas por meio da efetivação das leis e maior rigor nas punições para com o agressor e proteção à vítima, a fim de que se sintam seguras para denunciar. A mídia também tem a incumbência de propagar a conscientização da gravidade do problema e como resolvê-lo. Além disso, é essencial que a sociedade entenda que em briga de marido e mulher é fundamental meter a colher.