Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 18/09/2020
“Lidamos diariamente com a violência doméstica. Mas o confinamento deu mais visibilidade a ela” diz Conceição de Maria, cofundadora e superintendente-geral do Instituto Maria da Penha. Não é de hoje que os casos de violência se tornaram pauta na sociedade, todavia em razão da atual quarentena, percebe-se mais um aumento exponencial nos casos de agressões, em especial, vítimas mulheres. A falta de voz das pessoas que sofrem esse tipo de abuso é fruto de uma sociedade que normalizou diversos crimes, e com a recente situação, têm dificultado as inúmeras denúncias.
Diversas causas sempre estiveram presentes quando se tratava de violência doméstica, e com o isolamento social, todas as situações se tornaram obviamente mais recorrentes e comuns, já que com o mesmo, o casal ou a família convivem mais entre si, e os desentendimentos consequentemente são mais frequentes, casos de alcoolismo, onde graças a pandemia, o agressor e a vítima sempre estarão no mesmo ambiente (o lar). É certo que isso têm tornado os casos não mensais, nem semanais, mas diários.
Apesar do reconhecimento desse assunto tão importante por parte das pessoas, em razão de muitas discussões sobre na internet e afins, sabe-se que na prática, o apoio recebido é muitas vezes menor do que o esperado. Se a realidade é de uma vítima sem voz, o esperado seria piorar, já que a mesma não tem, por esse período, mais acesso a outros lugares, onde poderia pedir ajuda de alguma maneira, ou ser vista machucada, entre outras situações. João Paulo II disse: “A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano.”, e isso sem espaço para dúvidas, tem piorado em meio à pandemia.
Conclui-se que, é importante ressaltar a importância dessa problemática, que tem se tornado cada vez mais regular, e natural. Portanto, diante desse cenário, é preciso que o Governo, juntamente com o Ministério de Defesa, na condição de garantidor dos direitos individuais, programe leis mais rigorosas quanto a esse assunto, como a Lei Maria Da Penha, já regulada no meio, além de mobilizar a sociedade, por meio de campanhas influenciadoras que empoderem as vítimas do problema abordado, a fim de incentivar a denúncia e proteção das mesmas. É importante a criação de projetos virtuais de anteparo a essas mesmas vítimas, já que por agora, elas só possuem acesso ao mundo exterior pelas redes sociais. Assim, será possível atenuar a problemática relacionada aos casos de abusos domiciliares, e possibilitar que as garantias constitucionais sejam atendidas.