Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 20/09/2020
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de feminicídio brasileira é a quinta maior do mundo. Por certo, esse informação ilustra um dos principais desafios do país durante o isolamento social provocado pela pandemia de coronavírus. Como também, observa-se que a falta de assistência às mulheres violentadas e os problemas econômicos da população criaram um cenário propício para a ocorrência de casos de violência doméstica.
A princípio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que apenas 2,4% dos municípios possuem instalações para abrigar mulheres que sofreram algum tipo de violência. Tal situação demonstra uma das principais falhas do governo brasileiro em proteger uma parcela das mulheres que estavam mais vulneráveis a sofrer agressões no período de isolamento social. Porém, esse contexto age paradoxalmente ao artigo quinto da Constituição Federal de 1988, que garante o direito à segurança para todos os cidadãos. Desse modo, a violência doméstica contra mulheres esteve presente em inúmeros lares brasileiros durante a pandemia de coronavírus, visto que o suporte prestado pelas autoridades federais não atinge todo o território do país.
Além disso, um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) representou a pobreza como uma das causas para a perpetuação das práticas de violência. Então, a situação de extrema pobreza vivenciada por 13 milhões de brasileiros, de acordo com o IBGE, cria um ambiente favorável ao feminicídio e a outras agressões, visto que o sistema capitalista vigente na sociedade contemporânea proporciona uma série de desigualdades que refletem no comportamento dos indivíduos. Portanto, é notório analisar que a pandemia de coronavírus prejudicou financeiramente inúmeras famílias, o que facilitou os casos de agressividade contra mulheres.
Dessa forma, é possível observar que a incorreta gestão federal e os problemas econômicos são um dos principais responsáveis pelos atos de brutalidade às mulheres. Sendo assim, é essencial a construção de casas de proteção às vítimas na maioria dos municípios brasileiros. Para a realização de tal medida é necessário que o Ministério da Economia realize empréstimos financeiros, por meio do BNDES, e repasse para as cidades com mais casos de agressões. Logo, um número maior de mulheres poderão ter acesso a um ambiente seguro.