Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 21/09/2020
Nos últimos meses, com o distanciamento social, o número de casos de violência doméstica aumentou significativamente. A Corte Internacional de Direitos Humanos publicou um manifesto em relação a esse aumento, que afirmava que com a quarentena a tendência é de que haja um crescimento no número de ocorrências de violência contra a mulher. Por isso, é dever do Estado tomar as medida ideais para protegê-las dessa agressão. Portanto, o isolamento social é considerado o motivo da alta nas ocorrências de violência doméstica ultimamente.
Nesse contexto, os dados comprovam que o aumento da violência contra a mulher durante esses meses de pandemia ocorreu em todo o mundo. No Brasil, temos como referência o Rio de Janeiro e São Paulo que sofreram um aumento de 50% nos casos de violência contra a mulher. Ademais, a Itália que foi o epicentro do coronavírus, em abril, sofreu um crescimento de 161% nas ligações e contatos para relatar casos de violência doméstica, em comparação ao mesmo período no ano anterior. Desta forma, foi identificado um acréscimo maior na quantidade de mulheres violentadas onde o distanciamento social foi mais intenso.
Em segundo plano, o isolamento social pode ter causado esse crescimento por diversos fatores, dentre eles o contato excessivo com a família. De acordo com a advogada e diretora de Mulheres da OAB-RJ, Marisa Gaudio, " o convívio intenso, nesse momento de ansiedade e tensão, tem piorado os casos. Uma pessoa que nunca bateu, por exemplo, pode ter descambado para a violência física". Desta forma, a quarentena intensifica o contato com os parentes, consequentemente as discussões também crescem, o que possibilita uma agressão. Visto isso, muitas ocorrências desse tipo de agressão durante a quarentena podem ser frutos de um conflito interno.
Portanto, percebe-se que com a prática do isolamento social houve um crescimento nas ocorrências desse tipo de agressão, uma vez que as tensões familiares se tornam corriqueiras. Assim, para ajudar essas vítimas, é preciso que o governo invista mais na proteção da mulher, ao criar mais postos policiais especializados em casos de violência doméstica. Além do que, é dever do Poder Executivo tornar as leis que defendem as mulheres mais eficazes, como a Lei Maria da Penha, e punir de forma corretas os agressores. Logo, deve-se priorizar a integridade física e mental principalmente das mulheres durante esse período de quarentena.