Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 24/09/2020

Não existe um momento em que nossa civilização não foi excludente e violenta, a nossa história é manchada de sangue e cheia de cicatrizes profundas. Há de se esperar que haja uma mínima evolução no que tange as relações sociais mas estamos vendo o oposto com os casos de violência doméstica em meio a pandemia que apenas reflete uma sociedade doente e despreparada para lidar com questões complexas devido ao nosso histórico sangrento e patriarcal.

Freud, o pai da psicanálise, diz que nossa civilização é responsável pelas próprias desgraças e que seríamos mais felizes se abandonássemos e retornássemos ao primitivo, observando a alta dos números de casos de estupro, feminicídio e até mesmo no uso de bebidas alcoólicas, fato este que está intimamente relacionado com o aumento da violência doméstica, tenho que concordar com tal proposição.

Contudo, se torna evidente que Freud está equivocado em sua frase quando observamos os fundamentos das sociedades antigas onde a mulher era colocada como inferior aos homens e sofria constantes abusos. Ademais, tivemos inúmeras guerras por território que trouxeram verdadeiro terror aos povos inimigos e nem mesmo no mundo primitivo seriamos felizes mas quando retornamos para a contemporaneidade, em meio o caos que o covid-19 proporcionou à nossas vidas, a repressão social que vivemos em quarentena apenas serve como gatilho para soltar demônios que estavam presos a séculos.

É claro que somos filhos do passado e não há como herdar genes diferentes dos nossos pais, afinal o número de esposas mortas, de filhos sendo espancados e de famílias sendo destruídas é proporcional ao sangue que gerações perpetuaram com o egoísmo e individualidade exacerbada. Contudo, é nosso papel como filhos rebeldes, mudar o ciclo e construir novas famílias através de debates como este visando o esclarecimento sobre nossas próprias dores e a melhora do coletivo como um só.

Por fim, tendo entendido nosso papel como sociedade, é viável ter uma construção de base para formular a moral e o bem em nossas crianças que, através de um programa escolar, possam ser instruídas a como reagir diante uma violência doméstica e como não pratica-la quando chegar em sua fase adulta. Além disso, é importante que haja uma fiscalização maior por parte do estado e um atendimento especial para quem comete o crime de violência doméstica por meio de uma melhora no sistema penitenciário visando a evolução do indivíduo de modo que, no final, rompamos com as amarras da violência e tenhamos consciência sobre nós mesmos.