Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 07/10/2020
A carta enviada por Pero Vaz Caminha, ao rei Dom Manoel 1º, descrevia o Brasil como rico e majestoso. Hoje, o cenário da violência doméstica brasileira não oferece tanta riqueza devido a inação e o despreparo governamental para lidar com a falta de incentivo, somado a atuação do preconceito. Em primeiro plano, é essencial salientar que o sociólogo Émile Durkheim afirma em seus estudos que o poder público se responsabiliza pelo gerenciamento das questões que envolvam a coletividade estabelecendo, por conseguinte, o bem-estar social. Entretanto, o ponto de vista adotado pelo estudioso manteve-se na teoria, em virtude de descaso governamental em viabilizar investimentos aptos a realizar melhorias na discriminação de gênero existente. Diante disso, uma mulher que recebe tratamentos diferentes, comparados a um homem, em pleno século 21, é desfazer todo o sofrimento pelo qual as sufragistas passaram, em meados de 1900, para conquistar o voto feminino, aumentando os direitos da parcela popular fêmea. Nesse sentido, a sociedade não progride, pois faltam meios de incentivar as mulheres a buscarem seus direitos para além do voto: o reconhecimento social. Sendo assim, a ajuda governamental é essencial para que Durkheim esteja correto e o bem-estar seja alcançado.
Além disso é perceptível que o preconceito com mulheres existe desde outros tempos. Dessa forma, pode-se perceber que ele foi - e ainda ou é - transcendente por gerações, evidenciando a banalização da violência contra o feminino, principalmente, doméstico. Assim, Hanna Arendt, na teoria “Banalidade do Mal”, argumenta que o comportamento preconceituoso passa a ser realizado de forma inconsciente quando os indivíduos normalizam tal situação, comparando a discriminação de mulheres que são violentadas por tentarem procurar seus direitos, mas não são vistas socialmente, devido ao problema continua circulando sem ninguém o impedir.
Por fim, caminhos devem ser realizados para resolver esse impasse. Nesse viés, cabe ao governo federal - órgão responsável pelo bem comum - elaborar um plano nacional de incentivo a prática de palestras em ginásios escolares pelo país, com o “slogan” diga “não à violência”. Isso pode ser feito por meio de uma associação entre prefeitos, governadores e entidades federais - haja vista esse fenômeno envolver todos os âmbitos administrativos - que realizem diálogos com o público presente, mediados por psicólogos. Nesse sentido, o objetivo será incentivar o público feminino a buscar seus direitos, como o reconhecimento social, extinguindo desigualdades de gênero para melhorar a qualidade de vida. Dessa forma, a violência doméstica deixará de existir, e a igualdade de tratamento será mais forte que o preconceito.