Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 01/10/2020

A sociedade está vivenciando uma pandemia que fez com que todos tivessem de ficar em casa, confinados, para combater a disseminação do mais novo Coronavírus. Entretanto, desde o início da quarentena, ou seja desde que todas as medidas de isolamento social foram postas, evidenciou-se um aumento de uma realidade já muito triste e grave que ocorre no Brasil há décadas, a violência doméstica, a agressão contra a mulher, que entre os anos de 2010 e 2017 já ultrapassava os 1,23 milhão de casos no país.

Segundo dados do TJRJ, o aumento no número de denúncias de casos de violência doméstica desde o início do isolamento foi de 50% no estado do Rio de Janeiro. Não somente, como também, outros estados relataram tal acréscimo elevado, como o Rio Grande do Norte, que entre 12 a 18 de março teve um aumento de 258% de casos em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Observatório da Violência do Rio Grande do Norte. Nota-se assim, que a tensão da pandemia, juntamente a convivência demasiada, e o fato de estar longe de sua rede de apoio (amigos, familiares e conhecidos), colabora consideravelmente para o aumento da violência contra a mulher.

Ademais, mesmo com o aumento dos casos de violência doméstica durante o confinamento, ainda são poucas as mulheres que denunciam. Segundo afirma Marisa Gaudio, diretora de mulheres da OAB-RJ, “A maioria das mulheres não denuncia o seu agressor ainda. Vivemos em uma sociedade muito machista e patriarcal que culpabiliza a mulher pela agressão, pelo fim de uma relação, especialmente se envolver filhos, e que desestimula essa mulher a denunciar. O convívio intenso, nesse momento de muita ansiedade e tensão, tem piorado os casos. Uma pessoa que nunca bateu, por exemplo, pode ter descambado para a violência física.”. Tal realidade mostra, que o patriarcalismo continua enraizado na sociedade em pleno século XXI, mesmo que em uma pandemia mundial.

Visto isso, para combater a violência doméstica durante a pandemia, é imprescindível que a mídia se mobilize para dar apoio a essas mulheres que estão sendo agredidas, através de postagens que incentivem elas a denunciarem, que façam elas se sentirem seguras e não aceitem ser culpadas ou cogitarem continuar passando pelas agressões. Além disso, é necessário que o governo fiscalize de maneira mais eficiente a Lei Maria da Penha, através da criação de políticas públicas que sejam mais rigorosas quanto ao cumprimento da lei. Assim, será possível que as mulheres se vejam livres finalmente da violência durante a pandemia e para sua vida toda, sem medo de denunciar, com a garantia de que seus agressores serão punidos e que elas estarão seguras.