Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 01/10/2020

Em de pandemia um dos lugares mais seguros e recomendados para ficarmos são as nossas casas. Porém, para algumas mulheres, ficar em casa não é sinônimo de bem-estar e muito menos de segurança. Tais mulheres são frequentemente abusadas por seus familiares e por pessoas próximas e infelizmente não tem a liberdade de procurar ajuda, já que estamos passando por um processo de isolamento social e é bastante difícil sair de casa.

Nos últimos meses, o MDH  tem registrado um aumento de 9% no número de casos relacionados à violência doméstica no mês de Março. Em São Paulo, o número de casos de violência aumentou 30% durante a quarentena, e de acordo com o Núcleo de Gênero e Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público de São Paulo. Além disso, segundo a Justiça do Rio o número de casos aumentou cerca de 50%, o que é bastante preocupante.

Segundo Fernanda Marques docente da faculdade de Serviço Social da UERN, “Era de se esperar que no período de confinamento social ocorresse esse aumento da violência doméstica. Em alguns estados como o Rio de Janeiro, ele foi de 50%. No Rio Grande do Norte, as promotorias de justiça já registram mais de 18% de aumento de medidas protetivas de urgência. Neste aspecto, a casa é um espaço muito perigoso para as mulheres. É uma problemática muito séria. O Estado e o poder público necessitam de planos emergenciais para garantir a proteção e sobrevivência das mulheres”, afirma.

Visto isso, faz-se necessário que o Governo crie meios e programas de apoio e ajuda à mulheres vítimas de qualquer abuso oferecendo tratamentos com profissionais especializados para cuidar de possíveis traumas, oferecer um lar para aquelas que foram abusadas dentro de suas próprias casas, e punir severamente todos aqueles envolvidos. Por fim, é dever da mídia desenvolver propagandas de conscientização para encorajar mulheres que se sentem pressionadas e com medo da denúncia.