Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/10/2020
A violência doméstica sempre foi algo presente na sociedade brasileira. A necessidade da criação de uma lei que objetiva a proteção da mulher - Lei 11.340, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha. - é a prova disso. Porém, com o surgimento inesperado de uma pandemia e, consequentemente, de um isolamento social, nota-se um aumento nos casos de violência doméstica durante a quarentena. Esse fato pode ocorrer por conta de dois pontos muito importantes: Por uma criação possivelmente machista e a tensão causada pelo largo tempo de isolamento social.
Conforme foi dito anteriormente, a violência doméstica não é algo inédito do isolamento social, mas sim algo que acontece desde o início da humanidade, que por muitos anos foi marcada fortemente pelo patriarcalismo. Como resultado, temos criações extremamente machistas em decorrência da herança deixada pelas sociedades patriarcais. Em virtude dessa educação, muitos homens passam a se ver como superiores na estrutura familiar e acreditam que por isso, tem o direito de agredir - seja de forma física ou verbal. - a esposa sempre que julgar conveniente. Além disso, mulheres que recebem uma criação machista também tendem a crer que são inferiores aos homens e que devem aceitar essas agressões como algo comum e natural.
Na sequência, há também a tensão que surge por causa do isolamento social que vem ocorrendo durante o período de pandemia. É inevitável a manifestação de estresse e ansiedade depois de meses tendo que ficar dentro de casa, sem poder sair para realizar as atividades mais simples ou momentos de lazer entre amigos. Entretanto a forma como cada família lida com essa angústia é o ponto a ser destacado aqui. Haja vista que pequenas discussões tem levado a casos graves de violência doméstica, devido ao acúmulo de toda essa tensão causada pela quarentena.
Conclui-se então, que um ponto extremamente importante e que precisa de uma mudança é a criação das próximas gerações. É fundamental que as pessoas tomem conhecimentos dos inúmeros riscos que meninas e mulheres correm por conta de educações machistas. Por isso, esse é um assunto que apesar de já ter o seu espaço na mídia brasileira, precisa que haja um aumento no destaque dado ao mesmo. Seria interessante que as redes de televisão, por exemplo, investissem em mais documentários que contem as histórias de mulheres que sofreram os mais diversos tipos de violência por conta de uma educação herdada do patriarcado. Outro ponto essencial a ser trabalhado é o incentivo a busca por atendimentos psicológicos durante esse período de isolamento. Para que assim, as pessoas aprendam a lidar com todos os sentimentos acumulados de uma maneira saudável e sem riscos a ninguém.