Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/10/2020

No programa “Vivendo com o inimigo”, do canal de TV Investigação Discovery (ID), é exibido casos de violência doméstica e assassinatos cometidos por pessoas as quais os familiares não acreditavam que seriam capazes daquilo. Hodiernamente, com a quarentena, houve um aumento de casos de mulheres sendo agredidas em suas próprias casas, o que ocorre, como no programa, por uma inconsciência do caráter de seus companheiros. Essa falta de consciência é causada pelo uso aquém do necessário de aparelhos eletrônicos, pela atual rotina apressada e pelo estado psicológico das pessoas.

Com ritmo acelerado que a globalização trouxe para a sociedade, foi impossibilitada a real convivência entre familiares e o conhecimento de quem eles são. Essa distância metafórica entre as pessoas também foi fortemente influenciada pelo uso da tecnologia, que causou uma introspecção exacerbada das pessoas. Isso ocorreu principalmente pela internet que utiliza do conceito de toca do coelho, apresentado no documentário da Netflix, “O Dilema das Redes”; que é o ato de cada site colher informações pessoais para fazer recomendações e propagandas similares ao gosto das pessoas; para as manter em seus sites e redes sociais carregados de informações. Porém, com a quarentena instituída como regra nos estados, houve uma obrigatoriedade desse convívio inexistente anteriormente, aumentando, assim, discordâncias entre eles.

Em outra perspectiva, há também o acúmulo de frustrações vividas pelos indivíduos pela pandemia, que causou perdas na família e desemprego, o último tendo deixado muito tempo livre, o que aparece, similarmente, no filme da Netflix “O Poço”, no qual pessoas são colocadas em um poço dividido em andares, onde as dos andares superiores comem mais, mas se suicidam, enquanto os dos inferiores matam uns aos outros para poderem comer. Atualmente, em uma situação parecida com os habitantes dos andares de cima,  descontam essa pressão psicológica em quem vive consigo, ainda mais pela misoginia que tem raizada em si, considerando a mulher fraca e um meio fácil e acessível para extravasar essa raiva.

Sendo assim, o MEC deveria investir em uma educação voltada, desde cedo, para o respeito a todos e não-prática à violência por meio de conversas, vídeos e dinâmicas, visando a estagnação da cultura misógina brasileira. Campanhas também são vistas como necessárias para que haja uma mudança, mostrando apoio às mulheres que sofrem esse crime e disseminando consciência para quem ainda é ignorante no tema. Afinal, o senado deveria rever a punição para violência doméstica, tornando-a mais rígida e inflexível a subornos, a fim de, finalmente, causar receio e medo em possíveis molestadores e estupradores.