Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/10/2020

Muitas famílias enfrentam o problema da violência doméstica em segredo, isso acontece sem que haja motivação para denúncias ou quaisquer medidas que protejam mulher e filhos de agressões. As mulheres muitas vezes são desacreditadas e em alguns casos as crianças podem ser até afastadas de suas mães. É bem importante ressaltar que a pandemia não é responsável pela violência doméstica. Porém, essa pode ser uma consequência imediata de mulheres que estão em relacionamentos violentos e convivem por mais tempo com seus parceiros em um cenário de ameaça.

A priori, em consequência da pandemia, dezenas de milhões de mulheres deixarão de ter acesso a métodos contraceptivos e milhões de meninas podem ser submetidas a casamentos forçados e à mutilação genital. Cada três meses de isolamento podem resultar em 15 milhões de casos a mais de abuso doméstico, de acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), agência da ONU que trata de questões populacionais.

Sem suportar seus próprios conflitos interiores, o agressor os projeta em outra pessoa. Dentro de um lar, sob a tensão da pandemia e numa forçada convivência - o que, claro, não justifica comportamentos abusivos -, dá para imaginar em quem a pessoa projetiva descarregará o seu descontrole emocional: na parte fisicamente mais fraca, em teoria, na mulher. Não é sem razão, portanto, que a OMS recomendou a diminuição do consumo de bebidas alcoólicas em todos os países, enquanto durarem suas quarentenas. É preciso evitar o vírus e é igualmente necessário evitar a saturação emocional de pessoas vivendo vinte e quatro horas juntas e durante dias. Apesar da recomendação da OMS, no Brasil, infelizmente, empresas de delivery registraram um aumento de 50% no pedido de bebidas alcoólicas em seus restaurantes.

Em conclusão, fica claro como as mulheres precisam de amparo nesse momento. Fica a critério do governo, aderir meios que irão ajudar essas mulheres, como por exemplo, utilizando linhas mais rápidas nas delegacias da mulher, e disponibilizando mais viaturas exclusivas para essas ocorrências. Por fim, talvez dessa forma a mulher e seus filhos fiquem seguros em sua própria residência.