Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/10/2020
Desde que o isolamento social, para quem pode ficar em casa, conforme noticiários de TV, começou a subir também nas estatísticas o aumento de mais de 50% no número de denúncias de violência doméstica. Isso, porque a recomendação era para que a população ficasse em casa, cumprindo o isolamento social.
É bem importante esclarecer que a pandemia não é responsável pela violência doméstica. Mas, essa pode ser uma consequência imediata de mulheres que estão em relacionamentos violentos e convivem por mais tempo com seus companheiros em uma vida de ameaças. E não é apenas a agressão física que caracteriza a violência doméstica, mas a patrimonial, moral e sexual. Muitas mulheres têm dificuldade de reconhecer uma relação de violência. Familiares e amigos precisam estar atentos aos sinais de comportamento por parte do companheiro, como grosseria, crueldade com a mulher e as crianças, tudo ofender o parceiro, desconfiança, pretexto de ciúme. Qualquer tipo de agressão física, mesmo empurrões, é violência doméstica, até agressão psicológica, pode levar a uma agressão física que pode levar ao feminicídio.
Há procedimentos para as mulheres identificarem que estão em uma relação violenta. Antes das agressões, devem avisar os familiares e amigos dessa situação. Deixar anotado o número de serviços de apoio à mulher, como delegacias da mulher ou outros lugares próximos que oferecem acolhimento, como igrejas ou comércios. Deixar algumas coisas essenciais, como chave, documento, dinheiro juntos num local escondido, planejar a saída para um lugar seguro. O canal de denúncia oficial é o 180, mas também é possível levar a mulher em um Delegacia da Mulher. Uma outra opção muito prática é a denúncia virtual, para registrar boletins de ocorrência on-line e até fazer a solicitação de medidas protetivas de urgência virtualmente.
Aquela frase “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher” deve ser deixada de lado. Familiares e amigos devem tomar partido e denunciar os casos, devem oferecer ajuda, buscar contato, procurar saber. Para ajudar, farmácias do Brasil aderiram à Campanha Sinal Vermelho, com a marcação com um X na palma da mão da vítima e mostrar para um atendente, que identificará o sinal e ligará para a polícia.
Nenhum ato de violência é justificável. Portanto, seja para dar apoio psicológico, seja para monitorar a vítima em estado de agressão, não devemos criticar, nem fazer julgamentos. É importante que as vítimas saibam a melhor forma de proceder, caso tomem coragem para buscar ajuda.