Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/10/2020
Na célebre série The Society, um grupo de jovens fica isolado em sua própria cidade, sem autoridades, adultos, nem regras impostas. Um desses jovens é Elle, que vive com um sentimento de medo constante por não ter como fugir de seu companheiro, Campbell, que a agride de forma verbal, sexual e física quando estão a sós. No contexto atual brasileiro, muitas mulheres vivenciam a situação representada na série, visto que por causa do isolamento social, elas precisam conviver por mais tempo com seus agressores, estando assim, ainda mais sujeitas a violência doméstica. Infelizmente, apesar do aumento do número de casos registrados durante a quarentena, a maioria das vítimas não denuncia o crime, por medo de julgamentos por parte da sociedade e pelo receio à ineficácia dos serviços de proteção à mulher no Brasil.
Convém ressaltar, a principio que atos de violência contra a mulher são sustentados pela cultura machista e desigual presente no país, que impõe a inferioridade intelectual e física da mulher perante ao homem, a relação de dependência e subordinação e até mesmo a idealização do casamento, como algo que deve ser preservado mesmo com dificuldades. Logo, por medo de ser desacreditada e julgada como provocadora da agressão, a vítima se sente insegura para denunciar seu companheiro.
Ademais, cabe ressaltar que a ineficiência dos serviços de proteção às vítimas de violência doméstica se destaca como fator colaborador a ocultação do crime, visto que há um significativo despreparo por parte das autoridades ao oferecer assistência eficaz, principalmente à saúde mental das vítimas, já que as principais sequelas são as psicológicas, como o desenvolvimento de ansiedade, depressão, baixa-autoestima, entre outras. Tais danos psicológicos foram representados na obra brasileira O Outro Lado do Paraíso, na qual a atriz Bianca Bin interpreta uma personagem que é vítima de torturas físicas e, principalmente, morais praticadas pelo próprio esposo, diariamente.
Conclui-se que, apesar do significativo aumento de denúncias de violência doméstica durante a quarentena, muitas mulheres não se sentem seguras para denunciar seus agressores, e um fator agravante a essa situação é o despreparo civil e governamental. Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos -órgão que oferece serviços para a inclusão de grupos minoritários, como mulheres, negros e indígenas- fazer investimentos em campanhas educativas que objetivem prevenir atos de violência contra a mulher, e também, investir no aprimoramento dos serviços e políticas de proteção às vítimas, em prol ao combate ao crescente número de cidadãs que são violentadas por seus companheiros e que se sentem discriminadas pela sociedade e abandonadas pelas autoridades, no Brasil.