Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/10/2020

Uma dos maiores realizações para o combate da pandemia de COVID-19 foi a quarentena, em que as pessoas ficavam em suas residências para evitar a circulação nas ruas e que por consequência evitaria a contaminação pelo corona vírus. Porém com o as pessoas confinadas em casa todo o tempo, principalmente casais, o velho problema do Brasil volta a atacar, a violência doméstica.

O ciclo dessa violência na maioria dos casos ocorre como vítima a mulher, sendo o agressor o parceiro homem. No início, o agressor começa a se irritar com pequenas coisas, porém já criando um clima pesado de tensão, a mulher tenta acalmar o parceiro e faz de tudo para não chateá-lo, com chances dela se culpar pelo parceiro estar assim. Esse momento ruim dentro de casa pode agravar-se e acabar indo para a próxima fase, o ato das violências.

A raiva acumulada na casa se concretiza em diferentes formas de violência na vítima, o agressor utiliza a violência verbal, psicológica, moral e física, e por mais que a vítima tenha a consciência de estar sofrendo diariamente, os seus sentimentos são de medo, paralisia e vergonha, gerando uma paralisia na mulher e impedindo que possa reagir.

Na sequência, o agressor tenta reconcilia-se com a vítima, usando o argumento que ‘‘irá mudar’’, e de fato, o clima dentro de casa pode realmente mudar, porém com o passar do tempo, o homem vai se irritando com pequenas e coisas, e quando menos se percebe, o ciclo da violência doméstica se completa, e quanto mais o ciclo se repete, menos curto o tempo de ‘‘paz’’ dentro de casa e maiores as chances da vítima sofrer feminicídio.

Em 2020 as taxas de violência doméstica cresceram drasticamente no mundo, incluindo o Brasil. segundo um levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) é mostrado que o número de ocorrências de violência contra a mulher aumentou em seis estados em comparação ao mesmo período em 2019. No mesmo levantamento, a Polícia Militar de São Paulo registrou um aumento de 44,9% no atendimento a mulheres vítimas de violência, o total de socorros prestados passou de 6.775 para 9.817.

Para o combate da violência doméstica foi criada a campanha ‘Sinal Vermelho’, consistindo na vítima fazer um sinal de ‘‘X’’ na mão com caneta ou batom vermelho e mostrar para algum atendente de farmácia ou super mercado que este irá acionar a polícia e dar procedimento a denúncia.

A violência doméstica é um trágico presente atual no mundo, mas com o esforço de todos, o incentivo à denúncia e a conscientização e a informação sobre como identificar as situações de violência podem ser as maiores aliadas contra esse problema tão antigo no Brasil e no mundo.