Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/10/2020
Ao tratar de violência doméstica, pode-se lembrar que no Brasil do século XVI, os homens eram considerados “proprietários” das mulheres com que se relacionavam, com direito a bater e até mesmo matá-las. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, a violência doméstica familiar não começa pela agressão física, mas essa agressão é seu último estágio. Tanto é que, no conceito legal, a violência pode ser física, sexual, psicológica, moral e patrimonial.
De volta ao momento atual, as autoridades recomendaram que as pessoas ficassem em quarentena e, nas primeiras semanas de isolamento social causado pelo Covid-19, ficou clara a relação entre a quarentena e o aumento da violência doméstica.
Segundo os especialistas, a convivência intensa ; o isolamento longe dos parentes e amigos; o desemprego; a tensão causada pela pandemia, somados ao fato de vivermos numa sociedade extremamente patriarcal e machista, que culpabiliza a mulher pelo fim do relacionamento e desestimula essa mulher a denunciar, são fatores que formam tal cenário.
Sabemos que foram criadas leis como a de n° 11.340, lei Maria da Penha, de grande importância na luta contra a violência e contra a desigualdade de gêneros. Mas sabe-se que as sub-notificações são grandes e escondem o número real da violência.
A forma mais simples de denunciar é através do Disque 180 - Central de Atendimento à mulher, para denúncias ou Disque 190 - Polícia Militar. A vítima também pode se dirigir à delegacia mais próxima para registrar um boletim de ocorrência. E é importante ressaltar que, caso você não seja a vítima, mas presencie qualquer situação de violência familiar ou doméstica, também pode denunciar em nome da vítima e ajudar a salvar sua vida.