Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/10/2020

Mesmo antes da nova pandemia de covid-19, os casos de violência contra a mulher eram uma realidade no Brasil e em outros países. Infelizmente, as estatísticas assustadoras refletem todas as formas de violência contra as mulheres, incluindo o feminicídio que se tornou um grande problema de saúde pública e violações dos direitos humanos das mulheres. Esta situação agravou-se ainda mais devido à necessidade de isolamento social, no qual, devido à falta de acesso presencial às delegacias durante este período, o número de reclamações foi bastante reduzido.

Nas últimas décadas a questão foi sendo paulatinamente colocada no centro do debate público, até ser finalmente considerada como prática que não deve ser tolerada. Isso se deu com a edição de diversas leis, como a Maria da Penha, em 2006, a do feminicídio, em 2015, e, por fim, com a de importunação sexual, de 2018, dentre outros exemplos. Todavia, é nítido o descompasso entre o notável reforço no arcabouço legal e a implementação de frágeis políticas públicas voltadas ao combate a esse tipo de violência. Ao contrário do que se imagina, a rede de proteção estatal, idealmente desenhada pela lei, frequentemente tem demonstrado incapacidade de dar guarida às vítimas, que geralmente preferem o silêncio a efetivar a denúncia, seja por medo, vergonha ou culpa.

Além disso, é importante destacar que o machismo está implementado na sociedade brasileira desde seus princípios. Nesse sentido, é fato que brigas violentas entre marido e mulher se tornaram corriqueiras no cotidiano da população. Logo, frases como “em briga de marido e mulher não se mete a colher” refletem como as pessoas lidam com tais situações, as quais ao invés de socorrer as vítimas, preferem não se envolverem no ocorrido. Em consequência disso, os casos que muitas vezes poderiam ser evitados ocorrem em decorrência da banalidade dada pela população à realidade das mulheres vítimas de violência domestica, seja esta física ou psicológica.

Portanto, com o intuito de dirimir os casos de violência contra mulher no Brasil, em específico durante a pandemia, é necessário que o governo crie mecanismos para a denuncia e a proteção das vítimas. Isso será feito através de aplicativos que possibilitem a mulher usar sem ser percebida pelo agressor, ao agir assim ela se protegerá de alguma reação do mesmo. Outrossim, é importante que o Ministério da Educação capacite profissionais das escolas para que ensinem às pessoas os perigos que envolvem o machismo com o objetivo de extinguir da sociedade, desde o seu primórdio, qualquer ideal machista enraizado nos alunos. Assim, ao tomar as devidas previdências, haverá na sociedade um ambiente salubre ás mulheres e á sociedade como um todo.