Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/10/2020
É de conhecimento geral que a ocorrência de violência domestica ainda se encontra presente no cotidiano crianças, idosos e principalmente mulheres, seja por ações de violência contra a integridade física ou moral. As mulheres são as maiores vítimas desse tipo de violência, que é o crime que menos recebe denúncias a nível mundial, em tempos de quarentena devido a pandemia da covid-19, o aumento da violência doméstica escapa das estatísticas dos órgãos de segurança pública. A razão é que, isolada do convívio social, a vítima fica refém do agressor.
Em abril, quando o isolamento social imposto pela pandemia já durava mais de um mês, a quantidade de denúncias de violência contra a mulher recebidas no canal 180 deu um salto: cresceu quase 40% em relação ao mesmo mês de 2019, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH). Em março, com a quarentena começando a partir da última semana do mês, o número de denúncias tinha avançado quase 18% e, em fevereiro, 13,5%, na mesma base de comparação. Apesar do maior volume de denuncias, o numero de casos é ainda muito maior, isso ocorre principalmente pelo fato de que muitas mulheres ainda ficam em silencio. Isso acontece não só por vergonha, mas para defender outras pessoas da casa contra os mesmos atos. Outros fatores que concorrem para a sua ocorrência é o fato de a vítima se achar responsável pelos atos de violência e entender que merece ser tratada dessa forma.
Outrossim, ao passo que as pessoas se mostram coniventes, a situação é aceita com normalidade. Até porque o/a violadora pode mostrar episódios de arrependimento de forma regular, o que promove episódios cíclicos em que a pessoa é tratada mal, mas tempos depois bem e assim sucessivamente. Com o contexto pandêmico e a necessidade do isolamento social, a intensificação da convivência entre os familiares, vários cenários foram se desenvolvendo, como o aumento excessivo de álcool, que pode acabar colaborando para discussões familiares. Em virtude disso, a campanha “sinal vermelho” foi criada com o intuito de estimular as denuncias de violência domestica que aumentaram com o isolamento social, o sinal de um “X” vermelho nas palma das mãos é utilizado como um pedido de socorro das vitimas para atendentes e farmacêuticos conseguindo assim fazer a denuncia.
Considerando os pontos analisados, cabe aos ministérios públicos criarem cada vez mais projetos e debates sobre todo tipo de violência domestica sendo ela física ou psicologia, além de propagar informação sobre formas de denuncias, apoios e leis em prol das vitimas. Criar mais campanhas como a citada a cima, para facilitar a ocorrência de denuncias em tempos de isolamento social, dessa forma esperasse que aumento de casos de violência domestica seja problema do passado.